Falta patrocínio no esporte brasileiro? O rúgbi não tem do que reclamar



A marca Sedex, dos Correios, estará estampáda nos uniformes das seleções de rúgbi do Brasil (Crédito: FOTOJUMP)

A marca Sedex, dos Correios, estará estampáda nos uniformes das seleções de rúgbi do Brasil (Crédito: FOTOJUMP)

Já virou lugar-comum ver reportagens com dirigentes e atletas brasileiros reclamando da falta de apoio financeiro após a Olimpíada Rio-2016. Aqui neste blog mesmo o tema tem sido recorrente, tantos são os casos. Por isso, quando surge alguém resolvendo investir no esporte olímpico, o fato merece ser comentado. É o caso do anúncio feito pela CBRu (Confederação Brasileira de Rugby), que confirmou na última sexta-feira a assinatura de um contrato de dois anos com os Correios.

Até 2018, a empresa irá aportar na entidade quase R$ 2 milhões (na verdade, R$ 1,9 milhão) pelo período de 24 meses. É pouco? Bom, nos tempos atuais não é dinheiro que possa ser jogado fora. Além disso, é somente mais um dos investidores no rúgbi brasileiro, modalidade que está longe de ser popular por aqui. A CBRu tem como principal patrocinador o Bradesco, com contrato que vai até 2020 (valores não divulgados). A entidade também conta com apoios da Heineken, Kibon, Dove e Topper (fornecedora de material esportivo).

Como dito acima, o rúgbi está muito longe de ser considerado um esporte popular no Brasil. Em relação ao universo olímpico, a modalidade Sevens também não tem no Brasil um de seus maiores protagonistas. Como é que então, diante deste quadro, consegue acertar um contrato de patrocínio de uma empresa que acaba de diminuir seu investimento em confederações mais tradicionais, como a CBDA (esportes aquáticos), CBHb (handebol) e CBT (tênis)?

Talvez a explicação esteja em uma palavra mágica: gestão. Pelo segundo ano consecutivo, a CBRu ganhou o prêmio de melhor governança do esporte brasileiro, concedido pelo Instituto Sou do Esporte (com respaldo internacional da Ong Play the Game). Não é pouca coisa para uma entidade que ainda engatinha no cenário do alto rendimento do universo olímpico do país.

Já as demais confederações passam por momentos complicados em suas respectivas administrações. O mais grave é o caso da CBDA, que passa por investigação do Ministério Público de São Paulo. Ela teve redução de 65% do apoio dos Correios na renovação de seu contrato (R$ 5,7 milhões por ano). No handebol, cujas prestações de contas do Mundial feminino 2011 foram contestadas, a redução foi ainda pior, de 77% (R$1,6 milhão/ano). Situação parecida com o tênis, com redução de 76% (R$2 milhões). Ah, ia esquecendo: a CBT também está sendo investigada pelo MP.

Acho que não precisa pensar muito para saber a razão da opção dos Correios, não é?

VEJA TAMBÉM:

Menos dinheiro faz COB premiar competência com verbas das loterias
O esporte brasileiro precisa se reinventar
O inferno astral de Coaracy Nunes não tem mais fim
Crise na CBDA é o mais novo “legado olímpico” brasileiro
Seis meses após a Rio-2016, abandono do Parque Olímpico é triste e vergonhoso



MaisRecentes

Qual sua dupla de mascotes preferida para os Jogos de Tóquio-2020?



Continue Lendo

Eliminação no Mundial precisa servir de aprendizado para o handebol do Brasil



Continue Lendo

Após modernizar estatuto, confederações concorrem a prêmio de governança



Continue Lendo