Festa para Paris-2024 e LA-2028 é justa, mas não resolve os problemas do COI



O clima de festa em Lima, local da 131ª Sessão do COI (Comitê Olímpico Internacional) era mais do que justificado. De forma inédita, a entidade outorgava, de forma oficial, o direito a Paris e Los Angeles de receber as Olimpíadas de 2024 e 2028.

Foi o final feliz de uma novela que se arrastava há mais de dois anos, quando iniciou a corrida eleitoral para 2024. Várias postulantes foram desistindo pelo caminho, como Roma, Boston, Hamburgo e por fim, Budapeste. O medo de perder uma das duas candidaturas fortíssimas fez o COI abandonar suas convicções e apego às tradições. A premiação de duas cidades ao mesmo tempo garantiu ao Movimento Olímpico uma tranquilidade que as seguidas recusas de candidaturas ameaçavam a própria existência dos Jogos Olímpicos.

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Uma coisa, porém, a alegre confraternização entre Thomas Bach, ao lado com os prefeitos de Paris e Los Angeles, não consegue esconder: o COI tem inúmeros problemas éticos e na própria concepção dos eventos olímpicos para resolver. Coisas tão sérias que nem mesmo o exageradamente otimista discurso do presidente do COI não é capaz de disfarçar.

Dúvida? Confira um breve resumo da lista de obstáculos que atormentam o universo olímpico neste momento:

Compra de votos no processo eleitoral

Esta talvez seja no momento a maior dor de cabeça para os cartolas do COI. O impacto das denúncias dos ministérios públicos da França e do Brasil a respeito da possível corrupção na eleição eu deu ao Rio de Janeiro a sede dos Jogos de 2016 abalou as estruturas em Lausanne.

Justamente num momento em que Thomas Bach tenta de qualquer maneira tornar viável o seu maior projeto na entidade, a famosa “Agenda 20+20”, uma acusação de compra de votos faz cair por terra boa parte da credibilidade do COI. Para o Brasil, particularmente, o caso chega às vias de vexame, pela possibilidade de envolvimento do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, na negociação com o antigo membro do COI, o senegalês Lamine Diack.

É bom que se diga que existem suspeitas de que a candidatura de Tóquio para os Jogos de 2020 também teria usado dos mesmos artifícios para angariar votos de forma ilegal.

Ao anunciar oficialmente que irá acompanhar atentamente as investigações no Brasil, o COI sinaliza que não compactua com picaretagens e corrupção. Mas dentro do comitê, a pressão para que ocorram punições mais pesadas, especialmente para Nuzman, é cada vez maior.

Combate ao doping

O COI não pode fechar os olhos para o escândalo que abalou o esporte mundial, o do acobertamento de casos de doping no esporte da Rússia. A coisa foi tão séria que no atletismo o país segue proibido de competir, com exceção de alguns atletas comprovadamente limpos. No esporte paralímpico então, os russos seguem banidos. A questão é o problema mundial de doping não está restrito apenas à Rússia. Só ingênuos acreditam nisso.

Foi espantosa a resposta de Thomas Bach numa coletiva em Lima, ao dizer que ainda não viu o documentário “Ícaro”, em cartaz no Netflix. Para quem não viu, retrata de forma impressionante como os russos construíram o castelo de mentiras com seus atletas dopados. Tudo denunciado pelo médico responsável pelo programa, que teve apoio do governo russo.

Se Thomas Bach realmente não assistiu “Ícaro”, que pelo menos afine os procedimentos de combate e punição ao doping junto com a Wada. E que amplie a caçada ao doping fora da terra de Vladimir Puttin. Certamente terá surpresas.

A sustentabilidade dos Jogos Olímpicos

Ao derreter-se em elogios a Paris e Los Angeles, Bach enalteceu que as duas cidades estão absolutamente integradas nos conceitos da Agenda 20+20 (olha ela aí de novo). Entre outras coisas, elogiou o grande número de arenas existentes que serão utilizadas.

Na teoria, tudo bonito. O problema é saber se as federações internacionais de cada modalidade também estão de acordo 100% com as ideias de sustentabilidade propostas pelo COI.

A tomar pelo que vimos no Rio de Janeiro, com reclamações sem fim de algumas federações, exigindo um padrão de qualidade para as arenas de seus esportes além da necessidade que a cidade-sede teria para o pós-Jogos, o discurso de uma Olimpíada mais enxuta e barata cai por terra. Fora que abre um espaço para ocorrer o que vimos por aqui: superfaturamento de obras, custos acima do previsto e a conta não fechando. Isso já ocorre com Tóquio, por exemplo.

A alegria de ter duas cidades fundamentais na história das Olimpíadas (Paris e Los Angeles) organizando os Jogos de 2024 e 2028 não pode fazer o COI esquecer que precisa arrumar sua própria casa urgentemente.

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