O vôlei do Brasil precisa reconstruir sua imagem



A semana vai terminando e ainda repercute as palavras do ex-ponteiro Giba, um dos pilares da multicampeã seleção brasileira masculina de vôlei, durante a sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, na última segunda-feira (dia 21). Em um dado momento da entrevista, sem meias palavras, Giba admitiu aquilo que todo mundo já sabia há pele menos cinco anos: a entregada que o Brasil fez durante o Mundial da Itália, em 2010, quando perdeu um jogo de propósito para pegar um cruzamento mais fácil na sequência do torneio. O Brasil sagrou-se tricampeão mundial na ocasião.

“Vamos parar de demagogia se entregou ou não. Todo mundo viu. Mas briguem com o regulamento, não briguem com a gente”, disse Giba à Folhaescancarando algo que todos que acompanharam o torneio já sabiam.

O Brasil liderava seu grupo e teria como último jogo daquele fase a Bulgária. Mas pelo regulamento esdrúxulo da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), se ficasse em segundo da chave teria confrontos mais tranquilos na sequência do torneio.

Foi então que o técnico aproveitou a situação para poupar o levantador Bruninho, pois seu reserva Marlon estava com uma infecção, e acabou improvisando o ponteiro Théo para atuar na rede, armando as jogadas. E como todos os demais também estavam com o chamado freio de mão puxado, o Brasil acabou perdendo por 3 a 0, naquele que foi chamado de “jogo da vergonha”.

>>> Relembre: Reflexões sobre o brilhante e manchado título do vôlei

Mas ninguém daquela seleção admitiu a trapaça, mesmo com o regulamento estúpido. Sustentou-se depois que o time estava desfalcado e precisava se poupar para as próximas fases blá blá blá.

Tudo isso acabou com a declaração de Giba.

O vôlei construiu uma história belíssima no esporte brasileiro. Não é fácil em um país onde só se valoriza praticamente o futebol que uma modalidade esportiva alcance o nível de excelência alcançado pelas equipes de vôlei brasileiras. Tudo isso fruto de muito talento e trabalho duro.

Se hoje o vôlei masculino passa por uma entressafra preocupante dentro de quadra, a ponto de deixar muita gente de orelha em pé para as Olimpíadas do Rio 2016, nada poderia vir em pior hora do que essa admissão de culpa do pior pecado que pode ocorrer no esporte, a trapaça. Aquele time do Brasil não precisaria entregar um jogo para ter um caminho mais fácil rumo ao título mundial.

E o pior de tudo é ver que o técnico Bernardinho ainda nega que tenha pedido para seu time entregar o jogo, mesmo após as declarações de Giba, então seu capitão na seleção. Para reconstruir sua imagem vencedora, o vôlei brasileiro não precisa de sucessos apenas dentro da quadra. Fora dela também se espera a grandeza dos campeões de verdade.

 



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