Nova geração do basquete brasileiro já não aguenta mais de tanto apanhar



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 21 de novembro do Diário de S. Paulo

Juventude perdida

Na última sexta-feira, dia 14, um comunicado da assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) informava que a seleção feminina sub-15 havia perdido para a Argentina, na noite anterior, o título do Sul-Americano da categoria. Na final, realizada em Assunção (Par), as argentinas venceram por 54 a 41. Aparentemente, o resultado seria considerado uma grande zebra, em virtude da maior tradição do basquete feminino brasileiro em relação às “hermanas”. Porém, os números mostram que o resultado não foi tão surpreendente assim.

Já faz algum tempo que o Brasil tem sua hegemonia ameaçada nas disputas femininas sul-americanas. Se no masculino, há uma década, os garotos brasileiros têm apanhando dos rivais argentinos nas mais variadas categorias, o feminino era um oásis de vitórias. Mas nos últimos quatro anos, as brasileiras conseguiram ganhar apenas três de oito torneios de base realizados: o juvenil de 2004 e os cadetes de 2005 e 2006. Os demais foram vencidos pela Argentina, que vem mostrando uma bela evolução, e Venezuela, que nunca teve tradição entre as mulheres.

Estas derrotas, mais do que eventos pontuais, representam um retrato fiel do péssimo trabalho que vem sendo feito nas categorias de base do Brasil. A rigor, não existe um projeto decente de renovação no basquete brasileiro, reflexo direto da administração desastrosa de Gerasime Boziks, o Grego, que ocupa a presidência da CBB desde 1997. Se já não bastasse colecionar vexames no adulto — o masculino não se classifica para as Olimpíadas desde Atlanta-96 e o feminino ficou em penúltimo lugar em Pequim-08 —-, o Brasil também virou saco de pancadas entre a molecada. Já passou da hora do basquete nacional reaprender a ganhar.

Ganhou, mas vai levar?

Um dia depois de ver as meninas perderem o Sul-Americano sub-15, o presidente da CBB comemorou sua eleição para a presidência da recém-criada Associação de Basquete Sul-Americana (ABASU). Mas pode não ter adiantado nada. Isto porque há um litígio entre a Confederação Sul-Americana (Consubasquet) e a Fiba América por causa do uso de bolas não oficiais em torneios do continente. A decisão sobre qual será a entidade que vai comandar o basquete da América do Sul só ocorrerá em março de 2009.

Derrotas também no vôlei

Não é apenas nas categorias de base do basquete brasileiro que os resultados em competições internacionais vêm sendo decepcionantes. Até o vôlei, que sempre teve a hegemonia sul-americana, anda sofrendo com as derrotas. Em outubro, a Argentina voltou a vencer um Sul-Americano juvenil depois de 26 anos, derrotando o Brasil na final, em Poços de Caldas (MG). No infanto-juvenil, também na cidade mineira, o Brasil perdeu o torneio sul-americano pela primeira vez na história. E para a Argentina.

Foto: Grego comemora sua reeleição, em 2005
Crédito: Alexandre Vidal/Divulgação CBB

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sexta-feiras pelo Diário de S. Paulo



  • Essa nova geração de basquete já não aguenta mais é esse dirigente, o sr.Gerasime Boziks..nem o basquete adulto, quer mais se reunir por causa desse dirigente…Muito bom o blog, parabéns.Abraços e ótima semana

  • Valeu pela visita, Rodrigues, e volte sempre

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