Nem o organizado vôlei consegue se salvar na crise do esporte olímpico brasileiro



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 24 de abril do Diário de S. Paulo

No arcaico modelo do esporte olímpico brasileiro, o vôlei tem sido, há anos, um oásis de competência. Desde o surgimento da chamada “Geração de Prata”, a equipe masculina que foi vice-campeã mundial de 1982 e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 84, o vôlei assumiu, com talento e organização, a condição de segundo esporte na preferência do brasileiro, perdendo apenas para o futebol.

E os números comprovam esta condição: foi o vôlei que conquistou para o Brasil, pela primeira vez, medalhas de ouro olímpicas em esportes coletivos (Barcelona/92, no masculino, e Pequim/08, no feminino); ganhou dois títulos mundiais (2002 e 2006, ambos com a seleção masculina), além de sete edições da Liga Mundial masculina e outras sete do Grand Prix feminino. Foi ainda a primeira modalidade a abrir espaço para o patrocínio nas camisas e também o primeiro a organizar uma Liga Nacional de clubes. Toda esta competência acabou resultando em um milionário contrato de patrocínio do Banco do Brasil, cujo valor é de R$ 25 milhões até 2012, feito que nenhuma outra modalidade esportiva consegue alcançar no país.

Diante deste cenário, seria um absurdo falar em crise no vôlei. Mas ela chegou com força total nesta semana, com o anúncio da retirada do patrocínio do Finasa para a equipe feminina do Osasco, simplesmente uma das melhores do Brasil, com quatro jogadoras que foram campeãs olímpicas e atual vice-campeã da Superliga. Nem mesmo a possibilidade da prefeitura de Osasco de manter a equipe (ou pelo menos parte dela) serve para atenuar o susto. É bom ninguém se esquecer que outros três times fecharam as portas ao final desta temporada (Brasil Telecom/Brusque e Banespa/Medley, no feminino, e Ulbra/Suzano, no masculino).

É claro que esta não foi a primeira grande crise do vôlei nacional. No início dos anos 90, o feminino viu de uma só vez Sadia e Colgate/São Caetano, os melhores do país, saírem de cena. Em 96, quando a seleção feminina estava ganhando a medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta, metade do time estava desempregado. Em todas estas situações, o vôlei brasileiro soube dar a volta por cima. Será que conseguirá fazer isso desta vez?

Superliga seria a vilã

Um dos motivos que teria levado o Finasa a desistir de manter o patrocínio no vôlei feminino seria o formato atual da Superliga, com um jogo final único, no Rio de Janeiro. Além disso, a dificuldade de exposição da marca (concorrente com o patrocinador oficial da CBV) também seria uma das causas da retirada do Finasa.

Data especial
A comissão de inspeção do COI, que está avaliando as cidades candidatas a ser sede das Olimpíadas de 2016, chega ao Rio na próxima segunda-feira. E a data escolhida para a inspeção das instalações esportivas foi escolhida a dedo: dia 1 de maio, feriado, quando o acesso pela falta de trânsito será bem mais fácil.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



  • Anônimo

    Ver uma CAMPEÃ OLÍMPICA como Paula
    Pequeno chorando diante das câmeras
    é o retrato do esporte olímpico brasileiro.

    BR

  • Marcelo, não vamos dar refresco ao Rio 2.016 enquanto o Comitê de Avaliação estiver aqui. Esse pessoal da pesudo candidatura vai mentir muito. E nós temos que desmentir.

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