NBB troca coerência e tradição por dinheiro



Ginásio Pedrocão, em Franca, lotado no Jogo das Estrelas: TV ainda faz muito pouco pelo basquete

A Liga Nacional de Basquete (LNB) acaba de assumir que o que importa memso é o dinheiro. Sim, a grana, bufunfa, pois foi por causa dele que a próxima edição do Novo Basquete Brasil, o NBB (aliás, o campeonato vai pra quarta edição e os caras ainda querem chamar de “Novo”) será decidido em um jogo único, atendendo a um pedido da TV Globo, que detém os direitos de transmissão do campeonato. A informação está aqui, no canal de basquete do iG Esporte.

De acordo com Kouros Monadjemi, presidente da LNB e diga-se de passagem, um homem sério e dedicado na função de comandar a Liga, a decisão é puramente financeira. “Os clubes estão com dificuldades financeiras, dependem das prefeituras e de patrocinadores. Se tivermos que comprometer um pouco a parte técnica para isso, nós iremos fazer isso”. O dirigente ainda disse que a Globo não aceitaria transmitir as finais em TV aberta se a decisão continuasse ocorrendo em melhor de cinco jogos.


O maior absurdo desta decisão é que se optou em dar um bico na tradição e coerência técnica, em troca de uma exposição que não resolverá os problemas do basquete brasileiro. esta modalidade, que já foi a segunda na preferência do torcedor do país, está pagando por anos de incompetência da CBB (Confederação Brasileira de Basquete). Não me parece que mudando a fórmula de disputa a situação irá mudar, nem mesmo a médio prazo.

E cá entre nós: este dinheiro tão comemorado por Monadjemi para os falidos clubes brasileiros ainda é muito pouco. A Globo, que passa competições esdrúxulas na sua programação dominical pela manhã, teria a a obrigação de passar ao menos um jogo por semana. Mas como hoje o basquete brasileiro é um produto de segunda categoria e que nem mesmo consegue se classificar para as Olimpíadas, paga e oferece o que tem. Falido,o basquete aceita sem pestanejar.


E para provar a burrice e estupidez desta decisão da LNB, lembro aqui que as principais ligas de basquete do mundo fazem suas decisões em playoffs com cinco jogos ou mais. A ACB, da Espanha, é em melhor de cinco; a Lega Basket, da Itália, em melhor de sete; a Liga Nacional de Basquet, da Argentina, em melhor de sete; e a NBA, nos EUA define seu campeão em melhor de sete partidas.


Será que todo mundo está errado e só o basquete brasileiro, com seus cofres vazios, está certo? Eu acho que não.



  • Todos os que tomaram essa decisão estão errados. O NBB (sigla que é uma imitação barata da NBA) é um campeonato de nível alto o suficiente pra ser exibido na tv aberta, e até em horário nobre.

    A falta de interesse de outras emissoras, especialmente da Record, detentora exclusiva dos direitos para Londres 2012, é preocupante, e sinaliza que devemos ter problemas pra acompanhar bons eventos até lá.

    Quando ninguém quer um produto, o preço dele cai. Se ninguém sabe quão bom ele é (e os seus donos – CBB, no caso – não fazem questão de mostrar), leva quem quiser pagar, ainda que seja uma mixaria, e ainda que force amputações.

  • Filipe, você abordou um ponto interessante, que foi a falta de interesse da Record. Li declaração do Kouros dizendo que falou com várias emissoras e todas só queriam de graça.E o fato da Record não estar transmitindo nenhum evento importante até agora é preocupante.

    Valeu pela visita, abs

  • Pois é. Eu não sei se não teria sido uma boa aceitar ir para outra emissora de graça. Com uma transmissão por semana em TV aberta, o lucro viria da publicidade. Aliás, a fórmula foi mudada por causa da publicidade, pois o dinheiro recebido da globo é o mesmo se a final for melhor de 5 ou melhor de 1.

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