Não há mais lugar para gigantismo em eventos olímpicos



Os Jogos de Inverno de Sochi, no ano passado, custaram estratosféricos US$ 50 bilhões. O COI não quer mais isso

Os Jogos de Inverno de Sochi, no ano passado, custaram estratosféricos US$ 50 bilhões. O COI não quer mais isso

Nesta segunda-feira, a comissão de avaliação do COI (Comitê Olímpico Internacional) publicou seu relatório a respeito das candidaturas para os Jogos Olímpicos de inverno de 2022. As cidades de Almaty (Cazaquistão) e Pequim (China), as únicas sobreviventes no turbulento processo eleitoral, que deixou pelo caminho Cracóvia (Polônia), Estocolmo (Suécia), Oslo (Noruega) e Lviv (Ucrânia), foram avaliadas pelos cartolas do COI. E o resultado não foi lá muito bom.

Em resumo, o relatório da comissão, chefiada pelo russo Alexander Zhukov, não aliviou nos problemas apresentados pelas duas cidades. Sobre Almaty, o texto concentrou-se na falta de experiência da cidade em organizar grandes eventos e riscos apresentados pelas garantias financeiras da cidade.

Em relação a Pequim, o relatório apontou como problemas a falta de neve natural (algo meio óbvio, tratando-se de Olimpíadas de inverno) e a eterna crise de poluição no ar que ataca a China e que já foi um problema nos Jogos de verão de 2008.

Por justiça, vale registrar que o texto, de 136 páginas, também elogiou as condições favoráveis atmosféricas da cidade cazaque, ao mesmo tempo que destacou as boas instalações e a experiência de ter sediado recentemente uma edição olímpica dos chineses…

Independentemente de relatórios de avaliação, a questão principal é a crise vivida pelo COI em relação a interessados em organizar seus megaeventos. Tanto isso é verdade que o lançamento da agenda 20 + 20, no final do ano passado, propondo novos modelos de candidaturas olímpicas, mais sustentáveis (leia-se baratas) e que não imponham novos vexames como o desta corrida olímpica, onde apenas duas cidades seguiram na disputa, de países sem muito medo de gastar o que tem e o que não tem para receber um evento esportivo.

Curiosamente, dois textos publicados nesta segunda-feira reforçam a análise da falência do antigo modelo “olímpico-ostentação”, que teve como ponto chave as Olimpíadas de inverno de Sochi 2014, que custaram nada menos do que US$ 50 bilhões.

O primeiro, no blog Olímpicos, da Folha de S. Paulo, assinado por Marcel Merguizo, trazendo uma entrevista com Lamartine DaCosta, um dos editores e organizadores do livro “O Futuro dos Megaeventos Esportivos”. Segundo ele, “o gigantismo dos Jogos vai acabar no Rio. Sim, 2016 já é passado”, afirmou o professor da Universidade Técnica de Lisboa, questionando o tal “legado olímpico” que os organizadores tanto falam. “[Os organizadores] costumam forçar a barra quando falam de legado, têm uma certa fantasia. Mas para a população esse gigantismo não funciona”.

O segundo texto, de autoria de Thiago Rocha, do portal iG, aponta que os Jogos Pan-Americanos de Toronto, que começarão daqui a 39 dias, serão os mais caros da história. A reportagem aponta que o evento poliesportivo das Américas terá um assombroso custo de R$ 6,5 bilhões, com 70% deste valor originado de recursos públicos. Só que o orçamento original previa um gasto de R$ 3,5 bilhões!

É muito, mas muito dinheiro para um Pan-Americano, convenhamos…

Não tem cabimento gastar tanto para eventos esportivos. O esporte não precisa de ostentação, camarotes luxuosos, espaços VVIP, como se diz por aí. Mesmo que os Jogos do Rio não sejam exageradamente esbanjadores (e ainda não há garantias de que isso não ocorrerá de fato), a verdade é uma só: os tempos de gigantismo nos eventos olímpicos acabaram.



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