O dia em que o Brasil viveu uma noite de prata nas Olimpíadas de Los Angeles



A data de 11 de agosto tem um significado especial para a história do esporte olímpico brasileiro. Há 31 anos, nos Jogos de Los Angeles 1984, duas medalhas de ouro que pareciam praticamente certas acabaram escapando na hora da decisão, e de uma forma absolutamente dolorosa para os torcedores.

A primeira decepção veio justamente com o futebol. Pela primeira vez, uma seleção brasileira alcançava a final do torneio. Mesmo com o status de tricampeão mundial, o Brasil tinha uma história modesta no futebol olímpico, em parte pelo fato de que na época as equipes do chamado bloco comunista, aqueles ligados à extinta União Soviética, utilizavam seus jogadores profissionais no torneio olímpico, sob o argumento de que eram “amadores”.

A seleção brasileira nos Jogos de Los Angeles teve como base o time do Internacional, onde se destacavam o goleiro Gilmar, o zagueiro Mauro Galvão e o volante Dunga (agachado). Crédito: Getty Images

Os países do bloco ocidental, onde estava o Brasil, usavam jogadores juniores e evidentemente levavam desvantagem. Com o boicote soviético em 1984, o torneio de futebol acabou tendo outros protagonistas. E mesmo tendo enviado o time do Internacional como representante, reforçado por alguns jogadores de outras equipes, o Brasil foi caminhando bem na competição, até chegar invicto à decisão contra a França. Só que na final, o time comandado pelo técnico Jair Picerni e que tinha como destaques individuais o goleiro Gilmar, o zagueiro Mauro Galvão, o volante Dunga e o meia Gilmar, acabou derrotado pelo time francês por 2 a 0, no Rose Bowl. Curiosamente, o mesmo local onde dez anos depois a seleção principal derrotaria a Itália nos pênaltis e conquistaria o título da Copa do Mundo

Quase ao mesmo tempo, uma outra decepção para os torcedores brasileiros, essa em dimensões bem maiores. Enquanto acontecia a decisão do futebol, praticamente ao mesmo tempo acontecia a decisão da medalha de ouro no vôlei masculino. Em quadra, no ginásio em Long Beach, a seleção brasileira jogava como favorita diante dos Estados Unidos. Vice-campeã mundial em  1982 e tendo derrotado a então poderosa equipe da União Soviética, o Brasil vinha cumprindo uma campanha arrasadora nos Jogos de Los Angeles e chegava como favorito à final.

Jogadores do Brasil não tiveram chance diante dos EUA na final do vôlei em 1984. Crédito: Reprodução

Jogadores do Brasil não tiveram chance diante dos EUA na final do vôlei em 1984. Crédito: Reprodução

O time comandado pelo técnico Bebeto de Freitas representava a primeira grande geração do vôlei brasileiro, com William, Montanaro, Renan, Bernard, Amauri e Xandó formando o time titular. Na primeira fase, o Brasil não tomou conhecimento do time americano, vencendo facilmente por 3 a 0.

Mas na final, veio o troco. Doug Beal, um dos maiores treinadores da história do vôlei, armou um sistema de jogo marcando as principais jogadas ofensivas brasileiras, anulando especialmente Renan e Xandó. Além disso, contou com suas estrelas inspiradas em quadra, como o gênio Kiraly (atual técnico da seleção feminina), PAt Powers e Craig Buck. O resultado foi uma aula de voleibol, na qual os americanos levaram o ouro devolvendo o placar de 3 a 0.

Naquele que poderia ser um dia de ouro para o esporte brasileiro, a prata acabou se transformando no prêmio de consolação.

Confira no vídeo o último set da incrível vitória dos EUA sobre o Brasil, na final do vôlei masculino em Los Angeles:



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  • denise

    Laguna, foi inacreditável…O público norte-americano era tão cru de vôlei que aplaudia até quando os locais erravam (ainda não havia ponto direto, a regra era mais complicada. O jogo acabava e eles continuam esperando que recomeçasse, porque não sabiam a contagem…. Mas a seleção brasileira perdeu – de fato, do gênio do Doug Beal (Bebeto não menos gênio, aliás). Foi triste. Só me lembro do próprio Bebeto, misturando duas frases feitas: “A gente caiu de cabeça em pé”.

    • Marcelo Laguna

      Essa frase do Bebeto é ótima, Denise, ahahahah

      No vídeo para a Veja, todos os entrevistados são unânimes em dizer que aquele foi o dia em que deu tudo errado. Infelizmente o “tudo errado” dos EUA foi naquele jogo da fase de classificação, quando o Brasil foi quase perfeito

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