Quebrar os limites do esporte merece sim ser exaltado



O queniano Eliud Kipchoge comemora após quebrar a barreira das duas horas na prova da maratona, em Viena (Crédito: HERBERT NEUBAUER / APA / AFP)

Se você acordou mais tarde neste sábado (12) e nem se preocupou em dar uma checada nas redes sociais ou nos sites, talvez não saiba que perdeu um evento histórico. Hoje, um homem correu a maratona abaixo da marca de 2 horas. Algo que alguém jamais pensou que seria possível ocorrer um dia.

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Coube ao queniano Eliud Kipchoge, de 34 anos, alcançar este feito. Não se trata de um atleta “comum”, mas alguém que das últimas 14 maratonas que disputou, perdeu apenas uma, de 2013 para cá. É inclusive o atual campeão olímpico da prova, na Rio-2016.

Em Viena (AUT), Kipchoge fez aquilo que poucos acham possível, completar os 42,195 km em 1h59min40s2. Incrível. Espetacular.

Mas existem muitos “senões” que estão sendo apontados para o feito do queniano.

Para começar, a marca não será homologada como recorde pela Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo). Simplesmente porque ela não aconteceu em uma maratona regular.

A quebra da barreira das 2 horas foi em um evento chamado INEOS 1:59 Já havia sido tentado uma outra oportunidade, no Autódromo de Monza, na Itália, em 2017. Mas por que há tantos questionamentos?

O queniano correu em um trajeto totalmente plano em Viena, em um horário escolhido como o ideal para a prova. Esteve acompanhado por nada menos 41 coelhos – atletas que são contratados para marcar o ritmo de uma prova. Teve a hidratação feita com ajuda de motocicletas e não em mesas, como habitual, e ainda tinha um carro marcando a laser o trajeto ideal para a corrida.

Para muita gente, a marca de Kipchoge não pode ser exaltada, por ter ocorrido diante de tantas situações especiais.

De fato, à luz fria dos fatos, a marca de Eliud Kipchoge deveria se restringir a uma categoria de feitos especiais e não esportivos. Mas ela é muito mais do que isso.

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Fale com qualquer maratonista e perceberá que ele está comemorando efusivamente a marca alcançada pelo queniano. Simplesmente porque ele demonstrou que é possível ser feito. Na cabeça de todo fundista, Kipchoge é o cara que derrubou um muro que parecia intransponível.

Quer mais um argumento da importância do feito deste sábado? Veja qualquer vídeo da chegada e perceba a alegria dos “coelhos”, que abriram passagem para que o queniano acelerasse nos últimos metros e atingisse o feito histórico.

Marketing à parte, a quebra da histórica barreira das 2 horas feita por Eliud Kipchoge mostra que nada é impossível no esporte. Só isso já justifica a alegria por tudo o que aconteceu neste sábado.



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