Leila Sobral vai se desfazer de sua medalha olímpica. Mas é por uma boa causa



A então pivô Leila Sobral (na fileira de cima, camiseta nº 7), antes da final contra os EUA pela Olimpíada de Atlanta-1996 (Crédito: Divulgação)

Integrante da equipe vice-campeã olímpica no basquete feminino nos Jogos de Atlanta-1996, a ex-ala/pivô Leila Sobral está se desfazendo de sua medalha de prata. Mas ao contrário do que se imagina toda vez que uma notícia como essa é publicada, desta vez a causa é mais do que nobre.

Leila, hoje com 44 anos e morando em São Carlos (SP), onde cuida de um projeto social ensinando crianças carentes a jogar basquete, decidiu colocar sua medalha em leilão. O objetivo é arrecadar fundos para ajudar uma ONG que cuida de crianças com câncer e que é mantida por uma antiga amiga.

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“Ter essa medalha guardada no fundo de uma gaveta e não fazer nada para ajudar as pessoas, era algo que me incomodava. Sei que muita gente vai me criticar, mas eu tenho aqueles momentos guardados na minha memória. A medalha é apenas simbólica”, disse Leila Sobral, em entrevista ao blog.

A medalha conquistada por Leila Sobral em Atlanta e que será irá a leilão em benefício da ONG V.A.A (Crédito: Reprodução)

A ex-integrante da seleção brasileira feminina de basquete ficou decidida a dar um outro destino à sua medalha em razão do trabalho desenvolvido pela amiga, a psicóloga Marcia Regina Silva, que chegou a trabalhar na equipe do Santo André e também na seleção. Ela é presidente da ONG V.A.A (Vivendo, Amando e Aprendendo), que há 15 anos ajuda no trabalho de casas de apoio para crianças que fazem tratamento de câncer em São Paulo.

“Fundei esta ONG há 15 anos mas sem nenhum tipo de patrocínio. No ano passado, a Leila me telefonou e disse que queria doar uma medalha para arrecadar dinheiro para a nossa ONG. Mas quando ela disse que seria a medalha de prata em Atlanta, fiquei muda”, explicou Marcia.

Ela ainda tentou argumentar com Leila, dizendo que a medalha representava um momento muito importante em sua carreira. Pediu para que ela pensasse um pouco antes de fazer a doação. “Ela me respondeu dizendo que a medalha não tinha mais sentido para ela. ‘A felicidade de eu ter estado naquele pódio não tem medalha que pague. E se a medalha pode virar dinheiro e ajudar as crianças, ela vai virar dinheiro’, ela respondeu”, contou a psicóloga.

Dois dias depois desta conversa pelo telefone, a medalha de Leila Sobral chegou pelo correio à casa de Marcia.

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A presidente da V.A.A ainda não sabe como realizará o este leilão. O assunto está sendo discutido com a diretoria da ONG, que tem como principal meta construir a sua própria casa de apoio. “Estamos buscando caminhos”, afirmou.

Para Leila Sobral, o fato de poder ajudar a amiga lhe traz muita felicidade. “Quero deixar claro que não estou precisando de dinheiro. É para ajudar a Marcia e o lindo trabalho que elas fazem lá. Alcançamos um feito inédito para o basquete brasileiro ao conquistar aquela medalha, mas esse é um objetivo ainda maior”, explicou.



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