Qual o verdadeiro legado da Olimpíada da Juventude?



Encerrado nesta quinta-feira (18), a Olimpíada da Juventude de Buenos Aires foi, sem sombra de dúvidas, um belíssimo evento.

Em sua terceira edição, a versão juvenil dos Jogos Olímpicos conseguiu até abafar os comentários de que estaria com os dias contados. A população de Buenos Aires “comprou” a ideia da festa olímpica, comparecendo em ótimo número em várias competições.

Será graças a este evento que o COI fará com que o movimento olímpico chegue na África. Em Buenos Aires, a Assembleia Geral do comitê olímpico escolheu Dacar (SEN) como sede dos Jogos de 2022.

Para o Brasil, o saldo da Olimpíada da Juventude foi bastante positivo, ao menos em termos de resultados. O Time Brasil um total de 15 medalhas, número idêntico ao da edição anterior, em Nanquim (CHN). A diferença é que este ano foram duas de ouro, contra seis nos Jogos de 2014.

Futsal do Brasil no pódio na Olimpíada da Juventude

Garotos da seleção de futsal comemoram a medalha de ouro na Olimpíada da Juventude (Crédito: Jonne Roriz/Exemplus/COB)

A despeito do sucesso da Olimpíada da Juventude, é necessário fazer algumas ponderações e contextualizações sobre o verdadeiro legado que os Jogos deixarão para os próximos anos.

Laboratório de sucesso

Mais uma vez, os Jogos da Juventude se mostraram um sucesso para o COI experimentar novidades em busca de atrair um novo público. Coisas que já consta na Agenda 20+20, lançada pelo presidente Thomas Bach em 2014 para modernizar o Movimento Olímpico.

Foi na Olimpíada da Juventude que o basquete 3×3 e a escalada esportiva foram apresentados antes serem aprovados para os Jogos de Verão. Neste ano, ocorreu a primeira edição olímpica com igualdade de gênero no número de atletas. Além disso, a cerimônia de abertura ocorreu não num estádio, como de costume, mas em um espaço público. No caso, na praça do Obelisco, um dos principais pontos turísticos da capital argentina.

Valorização da experiência

No futebol, costumamos analisar com parcimônia o desempenho das jovens promessas em competições de base, como Brasileiro Sub-20 ou a famosa Copa São Paulo. Da mesma maneira isso tem que ser feito em relação aos Jogos da Juventude.

Resultados deixam de ter tanta importância, medalhas perdidas precisam ser relativizadas, assim como alguns resultados não podem ser superdimensionados.

Mais importante em um evento como esse é dar uma vivência olímpica para atletas que têm tudo para brilhar nas Olimpíadas de Paris-2024 e Los Angeles-2028.

Boas novidades e alguns exageros

Entre as boas surpresas que os Jogos de Buenos Aires deixaram, talvez a presença do futsal seja a maior delas. E aqui não vai uma análise favorável em razão da medalha de ouro obtida pela seleção brasileira.

Há muito tempo que a comunidade do futsal defende a inclusão da modalidade no programa olímpico. Como é filiado à Fifa, o futsal esbarra em uma certa falta de boa vontade da entidade, que mal valoriza o futebol olímpico. Mas a presença de Thomas Bach na decisão do ouro, acompanhando da jogadora brasileira Marta, deixa uma esperança no ar para o futsal.

Já entre os exageros, nenhum supera a presença da competição de breaking dance. Aí já é muito clima de gincana para o meu gosto.

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