Após rejeição de Isinbayeva, COI libera bandeira russa para atletas limpos



Elena Isinbayeva

Elena Isinbayeva conquistou índice olímpico para a Rio-2016, mas não sabe se conseguirá disputar os Jogos (Crédito: AFP)

Atualizado

A batalha da russa Elena Isinbayeva para conseguir disputar os Jogos Olímpicos Rio-2016 teve mais um capitulo agitado nesta terça-feira (21). A recordista mundial do salto com vara segue inconformada com o fato de ser impedida de poder defender a Rússia na próxima Olimpíada, em razão da dura punição imposta pela Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) na última sexta-feira, e referendada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). A entidade que comanda o atletismo mundial suspendeu a equipe do país de vir ao Rio de Janeiro em razão de um amplo esquema de acobertamento de casos de doping, comprovado por denúncias de atletas e treinadores e detalhado por um duro relatório da Wada (Agência Mundial Antidoping).

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Isinbayeva, que na semana passada revoltou-se com a decisão tomada pelo comitê executivo da Iaaf e chegou a ameaçar buscar seu direito de competir até em cortes internacionais de direitos humanos, intensificou sua guerra nesta segunda-feira (20), quando conseguiu cravar o índice mínimo para se qualificar aos Jogos do Rio. Em uma competição nacional realizada na cidade de Cheboksari (RUS), ela alcançou a marca de 4,50 m, seu primeiro salto desde 2013, quando abandonou as competições para ser mãe. Uma marca medíocre para uma atleta de seu nível, que tem como recorde mundial 5,06 m, obtido em 2009. No Mundial de 2013, em Moscou, por exemplo, saltou 4,89 m.

Se fez o suficiente do ponto de vista técnico, no campo político é que o calo aperta. E o sangue russo ferveu ao comentar sua situação e pelo visto nem mesmo a possibilidade de competir sob bandeira do COI a deixou mais confortável.

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“Não irei, certamente, sob a bandeira do COI. Em primeiro lugar, porque sou russa e tenho um país e uma bandeira. Em segundo lugar, o presidente do COI [Thomas Bach] já disse há muito tempo que competir sob a bandeira do COI é improvável, já que nosso país não boicota os Jogos, nem está em guerra” disse Isinbayeva, em reportagem publicada pela agência EFE.

Na verdade, a questão deixou de ser diplomática para Isinbayeva, tornando-se quase uma cruzada pessoal. Ela, que jamais foi flagrada até hoje com qualquer substância proibida, não acha justo pagar pelos colegas trapaceiros de seu país.

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Eis que nesta terça-feira, após reunião de um comitê especial do COI reunido para tratar do escândalo do doping, Thomas Bach, fez uma sinalização que pode liberar Elena Isinbayeva e todos atletas russos que nunca tiveram casos positivos de doping registrados. Segundo o dirigente alemão, os atletas que estiverem “limpos” poderão competir com a bandeira russa e não com a bandeira do COI, como chegou a ser sugerido.

Mas uma das recomendações do COI, conforme documento publicado nesta terça, é que as federações internacionais de diversas modalidades submetam atletas russos e também do Quênia, outro país que está sob a mira da Wada, a outros sistemas de testes de confiança  adequado, além dos testes dos respectivos laboratórios nacionais, desmoralizados pelo escândalo de doping.