Chegada de Infantino ao COI pode criar impasse na suspensão da Rússia



Thomas Bach, presidente do COI, cumprimenta seu colega Gianni Infantino, mandatário da Fifa (Crédito: Flickr/COI)

Em Lausanne (SUI), onde acontece a edição dos Jogos de Inverno da Juventude, o COI (Comitê Olímpico Internacional) aproveita para realizar diversas reuniões. Isso é uma praxe em todos os eventos da entidade. Algumas são realmente importantes, como a que definiu a entrada de novos esportes durante a Rio-2016. Mas de modo geral, é onde a cartolagem se sente à vontade para fazer o que mais gosta: política.

Nesta sexta-feira (10), durante a 135ª Sessão do COI (o pomposo nome oficial do evento), foram eleitos três novos integrantes para o comitê. O mais badalado deles é o presidente da Fifa, Gianni Infantino. O homem-forte do futebol mundial foi eleito por 63 votos contra 13. Ao lado dele foram escolhidos David Haggerty, chefe da Federação Internacional de Tênis, e ao presidente do Comitê Olímpico Japonês, Yasuhiro Yamashita.

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A eleição de Infantino significou também o retorno de um mandatário da Fifa à Assembleia do COI. Desde 2015, quando estourou o escândalo de corrupção da entidade, o famoso “Fifagate”, o futebol não tinha representante no órgão máximo do esporte olímpico.

Mas a chegada de Gianni Infantino também poderá provocar situações constrangedoras nos próximos meses, talvez semanas. E o motivo tem a ver com o desenrolar do caso que envolve a recomendação de suspensão da Rússia pela Wada (Agência Mundial Antidoping), em virtude de seus problemas com o controle de doping no esporte do país.

Em dezembro passado, o comitê executivo da Wada recomendou uma suspensão de quatro anos dos russos das principais competições. O motivo foi que a Rússia, pela investigação da Wada, segue manipulando os dados de seu laboratória antidopagem.

A recomendação de punição inclui as edições da Olimpíada de verão de Tóquio-2020, de inverno em Pequim-2022 e dos Jogos da Juventude de Dacar-2022 e a Copa do Mundo de futebol do Qatar, também em 2022.

Aí que a presença de Infantino pode causar uma bela saia justa dentro do COI.

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Embora tenha dado declarações apoiando integralmente as medidas de combate ao doping, Thomas Bach é essencialmente um político. Além disso, o COI comunicou que só fará uma manifestação oficial sobre o caso após a definição na CAS (Corte Arbitral do Esporte), onde os dirigentes da Rússia prometeram recorrer.

E mesmo com a decisão, sem data definida, já é possível prever que Bach teria dificuldade em pedir apoio de Infantino para uma punição pesada contra a Rússia. Assim como o alemão, Infantino também evita posicionamentos mais duros publicamente, enquanto costura os acordos necessários nos bastidores. Além disso, ele dificilmente daria um tiro no próprio pé, ao apoiar o gancho russo e criar problemas para seu principal evento, a Copa do Mundo do Qatar, daqui a dois anos.

Algo me diz que a entrada de Infantino no COI poderá, indiretamente, dar uma boa aliviada numa possível punição aos russos.