Ginástica brasileira no olho do furacão



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 24 de outubro do Diário de S. Paulo

Silêncio constrangedor

Imagine a cena: sua filha tem um talento acima da média para a ginástica artística. Começa a treinar em um clube, disputar competições e como se destaca no meio da multidão, atraí a atenção da seleção brasileira permanente. Não demora muito e recebe um convite para treinar em Curitiba. Alguns meses depois, a garota volta para casa cheia de lesões e contusões graves, que não foram tratadas corretamente pelos médicos da equipe. Aí eu pergunto: dá para achar normal tudo isso?

Ontem, Daiane dos Santos e Laís de Souza, duas das principais ginastas do Brasil, passaram por cirurgias. Daiane foi submetida a uma artroscopia e a uma osteotomia, para endireitar o ângulo de seu joelho direito. Laís passou por uma artroscopia para a retirada de fragmentos de cartilagem do joelho direito. As duas admitiram que competiram nos Jogos Olímpicos de Pequim fora das melhores condições físicas. No popular, estavam “baleadas” na China. Assim como Jade Barbosa, que em setembro envolveu-se numa polêmica com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), após seu pai ter acusado a entidade de deixar Jade participar das Olimpíadas com uma necrose em um osso da mão direita.

O elo comum em todos estes casos vem sendo a falta de transparência da CBG, que mantém um irritante e constrangedor silêncio a respeito de todos estes casos, que só foram revelados depois de Pequim. Uma mancha considerável na reputação de uma entidade que até então tinha como marca registrada o excelente trabalho que fez a modalidade colecionar títulos e resultados expressivos nos últimos anos. Atenção, CBG: já passou da hora de vocês falarem alguma coisa!

Casos mal-explicados
O silêncio da CBG também ocorre em outros dois casos divulgados pela imprensa, que vieram à tona após a confusão envolvendo Jade Barbosa. Ex-integrante da seleção brasileira permanente, Maíra dos Santos estava com os ligamentos do ombro rompidos e diz que a entidade foi omissa em seu tratamento. Roberta Monari, que hoje integra o elenco do Cirque du Soleil, rompeu os ligamentos do pé durante um simples aquecimento, antes de uma competição. O problema é que a ginasta vinha há tempos reclamando de dores, mas os médicos da CBG não deram bola.

Sem hipocrisia
A respeito do primeiro parágrafo da coluna, só para ficar claro: estou consciente que fazer esporte de alto rendimento, ainda mais uma modalidade como a ginástica artística, implica no risco de sofrer contusões. Mas a responsabilidade em zelar pela saúde das atletas é da CBG. Não há medalha ou título que justifique tamanho descaso.

Novas regras do vôlei
O vôlei, que está sempre modificando suas regras, será menos rigoroso com a invasão de quadra e o toque na rede. As mudanças entrarão em vigor já na próxima Superliga.

Foto: as meninas da equipe brasileira de ginástica artística comemoram a classificação para a final olímpica, em Pequim

Crédito: Divulgação/COB
A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada todas às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



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