Ao tentar inovar, Fiba cria uma grande confusão no basquete mundial



Logo oficial da Copa do Mundo de basquete da China, cujas eliminatórias começaram esta semana (Crédito: Reprodução)

A Fiba (Federação Internacional de Basquete) arrumou sarna para se coçar, como se diz no interior. Nesta semana, a entidade deu a largada para a qualificatória do Mundial masculino da China, que acontecerá em 2019. A Seleção Brasileira, por exemplo, fez sua estreia fora de casa, com uma boa vitória sobre o Chile ( 86 a 73). Só que o novo sistema de disputa, que imita o modelo adotado pelo futebol na Copa do Mundo, com a competição sendo espalhada ao longo de dois anos, detonou uma grande confusão no basquete mundial.

Na teoria, a ideia dos dirigentes da Fiba tinha uma certa lógica: valorizar as disputas entre seleções. O modelo tradicional eliminatório, seja para Olimpíadas ou Mundiais, era através das copas continentais. Estes torneios tinham um período específico, concentrados entre julho e setembro, antes da largada da temporada do basquete europeu. Também a exemplo do futebol, a Europa concentra as principais ligas do planeta, perdendo apenas, é claro, para a NBA.

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Aí que o problema começou. Sem procurar um consenso com a Euroliga, competição que reúne os principais clubes do continente, a Fiba anunciou o qualificatório mundial e viu um choque de datas com a competição europeia. Resultado disso é que diversas seleções estrearam desfalcadas nesta primeira janela de jogos.

Se já nem sonhava em contar com os atletas que atuam na NBA, a Fiba agora se vê no dilema de perder também os astros que jogam na Europa. Em termos técnicos e de marketing, é quase um tiro no pé. Como mostrou a Folha de S. Paulo desta sexta-feira, a seleção da Espanha, uma das forças do  basquete mundial, teria que apelar para uma espécie de time B nos confrontos contra Montenegro e Eslovênia. O calendário encavalado prejudicou até mesmo o Brasil, que ficou desfalcado do armador Marcelinho Huertas, que atua no Baskonia, da Espanha.

O impasse está armado e não parece ter solução a curto prazo. Incrível que ao tentar fazer uma ação positiva para fortalecer as seleções nacionais, os dirigentes da Fiba conseguiram criar um impasse que poderá ter efeito contrário.

Sistema de disputa

As eliminatórias da Copa do Mundo de basquete da China, em 2019 será realizada em seis “janelas” de jogos, com duas datas em cada uma delas. No total, estarão em disputa 31 vagas: 12 da Europa, sete da Ásia, sete das Américas e cinco da África.

Nas Américas, serão 16 seleções divididas em quatro grupos. O Brasil integra o B, ao lado de Chile, Colômbia e Venezuela. Serão partidas ida e volta. Avançarão para a segunda fase os três primeiros de cada chave. Serão formados dois novos grupos de seis seleções. Os três primeiros de cada grupo e o melhor 4º colocado irão ao Mundial.

Boa estreia

Depois da eliminação vergonhosa na Copa América, que inclusive custou a vaga no Pan-Americano de Lima-2019, a Seleção Brasileira masculina começou muito bem sua trajetória no qualificatório para o Mundial da China. A vitória por 86 a 73 sobre o Chile marcou a estreia do técnico croata Aleksandar Petrovic. Foram apenas sete treinamentos, como lembrou o técnico Miguel Ângelo da Luz na transmissão do Esporte Interativo. Porém, Petrovic conseguiu extrair pontos positivos do time brasileiro. Uma atuação com muita intensidade, especialmente no terceiro quarto, além de contar com a volta de Anderson Varejão, Um bom começo, sem dúvida. A próxima partida será nesta segunda (27), contra a Venezuela, tradicional rival do Brasil no continente. O jogo será na Arena 1, no Parque Olímpico da Barra, com transmissão pelo canal Esporte Interativo.

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