Doping pode render a única medalha de ouro do Brasil nos Jogos de Sydney-00



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 28 de novembro do Diário de S. Paulo


Uma medalha de ouro com 2.980 dias de atraso

Um dos maiores micos da história olímpica do Brasil foi a participação nos Jogos de Sydney, em 2000. Embalado pelo caminhão de medalhas obtidas no Pan-Americano de Winnipeg, um ano antes, a delegação brasileira desembarcou na Austrália certa que iria faturar quilos de ouros. O que se viu, contudo, foi uma enorme frustração, com as seis medalhas de prata e outras tantas de bronze, obtidas após várias derrotas em finais, dia após dia, para desespero dos cartolas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Contudo, oito anos depois do fiasco de Sydney, o atletismo pode levar, da forma mais inesperada possível, o Brasil da 52ª para a 36ª posição no quadro geral de medalhas.

A confissão do ex-velocista americano Tim Montgomery, de que competiu sob efeito de doping no revezamento 4 x 100m rasos nas Olimpíadas de Sydney, caiu como uma bomba no meio esportivo brasileiro. Isto porque os americanos, que ficaram com a medalha de ouro, correm risco de perdê-la em favor justamente para o Brasil. No dia 30 de setembro de 2000, a equipe brasileira, formada por Claudinei Quirino, Édson Luciano, André Domingos e Vicente Lenílson, ficou em segundo lugar, atrás justamente do quarteto americano. Naquele dia, a prata foi comemorada como ouro pelos brasileiros. Um ouro que poderá chegar oito anos depois.

Prêmio de consolação
A decisão de retirar a medalha dos EUA, porém, não é tão simples assim. Montgomery, que cumpre pena por estelionato e tráfico de heroína, não correu a final do revezamento. E pelo regulamento, apenas os seus resultados individuais seriam anulados em virtude do doping. Mesmo assim, os dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) promete que investigar o caso. Mas mesmo que se decida dar o ouro para o Brasil, os integrantes do revezamento não fazem muita festa. “Não teremos nada do que o atleta obtém com o ouro olímpico, como cantar o hino no estádio e obter dividendos com os patrocinadores”, disse o ex-velocista Edson Luciano ao repórter do DIÁRIO, Alessandro Lucchetti.

Luz no fim do túnel
Só pode ser recebida com otimismo a criação da nova Liga Nacional de clubes de basquete, em reportagem exclusiva do DIÁRIO, assinada pelo repórter José Eduardo Martins. Graças a um acordo com a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), a competição passará a ser organizada pelos próprios clubes, atendendo antiga reivindicação. Este pode ser o caminho que o basquete do Brasil precisa para sair do fundo do poço.


Motivação
A confirmação do técnico Bernardinho no comando da seleção masculina de vôlei garante a manutenção de um trabalho vencedor. Mas será que o próprio Bernardinho ainda tem motivação?

Foto: A equipe brasileira do revezamento 4 x 100m comemora a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras pelo Diário de S. Paulo



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