Precisamos falar sobre o doping de Ana Claudia Lemos



Ana Claudia Lemos

A velocista Ana Claudia Lemos terá sua suspensão encerrada às vésperas da Rio-2016 (Crédito: Wagner Carmo/Inovafoto)

A 86 dias do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, eis que o esporte brasileiro encontra-se novamente diante de um caso polêmico de doping. Em 2011, um ano antes da Olimpíada de Londres, houve um enorme barulho por conta do advertência recebida por Cesar Cielo, então campeão olímpico dos 50 m livres, por causa de um suplemento alimentar contaminado pela substância furosemida. Na comunidade internacional da natação, houve muita chiadeira de alguns atletas, que foi ampliada após o julgamento do caso na CAS (Corte Arbitral do Esporte), às vésperas do Mundial de Natação de Xangai.

Agora, a polêmica da vez foi a sentença de cinco meses de suspensão dada à velocista Ana Claudia Lemos, por causa da presença de oxandrolona (anabolizante) em exame fora de competição, causar espanto. A pena, aplicada pelo STJD da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), é retroativa à data do anúncio do resultado do exame e irá terminar em 2 de julho, coincidentemente bem próxima ao limite das inscrições da equipe brasileira que irá competir na Rio 2016.

Tudo já seria bem complicado se Ana Claudia não fosse uma das principais esperanças brasileiras de brigar por medalhas nos Jogos do Rio 2016, tanto em provas individuais (ela já tem índice nos 100 e 200 m rasos) quanto no revezamento 4 x 100 m rasos.

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Pelo pouco que se sabe do caso – a atleta não deu qualquer declaração e apenas os advogados estão falando oficialmente -, a justificativa da atleta é também de contaminação em um medicamento de uso contínuo. A ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem) já declarou que  não concordou com a decisão e irá tentar ampliar a punição, recorrendo à CAS.

Por si só, o doping no esporte é um tema delicado. E quando as partes envolvidas não falam (ou falam o mínimo possível), corre-se  o sério risco de cometer alguma injustiça, justamente pela falta de informação. Pessoalmente, acho que o ideal seria que a própria Ana Cláudia se manifestasse publicamente, assim como Cielo em 2011, que ao menos leu uma declaração à imprensa.

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Também causa estranheza justamente quando o Brasil tem uma agência disposta a intensificar o combate ao doping e às vésperas de receber uma Olimpíada, a CBAt, através de seu tribunal, tenha optado por uma punição tão branda e com prazo final bem a tempo de inscrever a atleta para os Jogos Olímpicos.

E existe ainda um ponto importante, que poucos estão lembrando: como estará a cabeça da atleta em toda esta história? Por mais que esteja ciente de que terá presença assegurada na Olimpíada, como que Ana Cláudia está conseguindo treinar, fazer adequadamente sua preparação? Sim, porque enquanto suas companheiras de equipe fazem sessões de treinamento no exterior e disputam meetings internacionais ao lado de outras estrelas do atletismo mundial, ela segue por aqui, apenas mantendo a forma. Qual será sua condição psicológica para encarar a Olimpíada do Rio depois de todo esse drama?

Todos saíram perdendo no caso Ana Cláudia Lemos: a luta contra o doping no Brasil, as entidades envolvidas (CBAt e ABCD) e principalmente a própria atleta.



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