O fator Donald Trump na definição dos Jogos de 2024



Novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ameaça a escolha de Los Angeles para 2024?

Novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ameaça a escolha de Los Angeles para 2024? (Crédito: Gage Skidmore)

O mundo ainda tenta assimilar os efeitos que a surpreendente vitória do candidato republicano Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos trarão para a política e economia mundiais. O resultado das urnas da eleição realizada nesta terça-feira (8/11), contudo, também poderá ter reflexos consideráveis no campo esportivo. Mais precisamente na corrida para conquistar o direito de receber os Jogos Olímpicos de 2024, que tem a cidade de Los Angeles como uma das candidatas, ao lado de Paris e Budapeste.

Em uma análise rápida (e com risco de ser equivocada), é inevitável imaginar que a chegada de Trump ao poder poderá trazer danos irreparáveis à candidatura de Los Angeles, que tentará pela terceira vez receber a Olimpíada, como já havia feito em 1932 e 1984. E a razão é simples: o discurso xenófobo e racista que o milionário empresário americano exaustivamente repetiu em sua campanha. Promessa de erguer um muro na fronteira com o México, além de declarações racistas contra os países islâmicos e com a China, além de sua conhecida postura sexista, representariam um tiro no pé da candidatura de Los Angeles.

Ainda mais em um período em que o COI (Comitê Olímpico Internacional) tenta se mostrar mais sensível às questões humanitárias e de discriminação. Basta lembrar que a Olimpíada Rio-2016 foi a primeira em que uma delegação de atletas refugiados por conta de conflitos em seus países de origem pôde competir sob a bandeira olímpica. Outro ponto que o COI vem procurando ser inflexível é com o aumento da presença feminina nos Jogos Olímpicos, tanto que todas as 206 delegações que estiveram no Rio de Janeiro tinham mulheres competindo.

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Durante a Rio-2016, o prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, chegou a declarar em uma coletiva que uma possível eleição de Trump não trazia maiores preocupações pois candidaturas olímpicas não dependeriam de qualquer eleição. Recentemente, contudo, Garcetti afirmou ao site gamebids.com que a campanha de Los Angeles para 2024 continuará e que as propostas transcendem o jogo político.

Dentro do Usoc (o comitê olímpico americano), porém, reservadamente já havia muita preocupação com os efeitos de uma possível vitória de Trump junto aos integrantes do COI.

Pode-se concluir, portanto, que a candidatura de Los Angeles para 2024 naufragou? Longe disso…

Primeiro por uma questão de agenda: a definição da próxima sede das Olimpíadas e Paralimpíadas ocorrerá em setembro de 2017, na cidade de Lima. Portanto, muito distante ainda das preocupações iniciais que o novo governo deverá ter após a posse, marcada para 20 de janeiro.

Depois, pela possível mudança do discurso radical de Trump, agora eleito. Segundo alguns analistas políticos, ele tende a dar uma amenizada nas posições mais radicais, embora não se possa descartar que mantenha o endurecimento em relação aos imigrantes e, por tabela, com os mexicanos, alvo preferencial em sua campanha. E como empresário, ele ficou conhecido por ter sido organizar de várias disputas de título mundial de boxe em seus cassinos – logo, sabe o poder alavancador que o esporte tem na economia, como entretenimento.

Por fim, não se pode assegurar 100% uma rejeição do COI ao “estilo trator” que Donald Trump promete impor em sua política interna e externa. Mesmo com todo o discurso progressista dos últimos tempos, o COI tem uma Assembleia Geral composta por dirigentes que concederam ao regime nada democrática do russo Vladimir Putin a sede dos Jogos de Inverno de 2014, em Sochi. Detalhe importante: foi a edição olímpica mais cara da história, tanto de Verão ou Inveno: US$ 50 bilhões.

O mesmo COI que também tem visto governos conhecidos por pouca afeição aos princípios democráticos como os únicos interessados em organizar Jogos Olímpicos. Foi assim com a edição da Olimpíada de inverno de 2022, em Pequim, que derrotou Almaty, do Casaquistão, sua única rival na disputa.

O fator Donald Trump pode ser  preponderante para a eleição de 2024, mas não se pode cravar se ajudará ou prejudicará a candidatura de Los Angeles.



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