Um domingo inesquecível, mas não é para ficar mal-acostumado



Bia Ferreira comemora o título no Mundial de boxe feminino na Rússia, em um domingo inesquecível para o esporte do Brasil (Crédito: Reprodução)

O fã brasileiro do esporte olímpico não teve absolutamente do que reclamar deste domingo (13). Muito pelo contrário. Como se fosse uma espécie de alinhamento de planetas inesperado, quatro importantes resultados em diferentes modalidades tornaram o dia do torcedor mais feliz.

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Começou logo na madrugada, com a medalha de ouro de Ana Marcela Cunha na prova dos 5 km da maratona aquática dos Jogos Mundiais de Praia, em Doha (QAT). Depois, veio a conquista do tenista Bruno Soares, que ao lado do croata Mate Pavic venceu o Masters 1000 de Xangai (CHN). Já era manhã de domingo quando Bia Ferreira tornou-se a primeira mulher campeã mundial no boxe olímpico, na categoria 60 kg, na Rússia. Um feito espetacular. E o torcedor iniciou a tarde festejando a inédita conquista de Arthur Nory, campeão da barra fixa no Mundial de ginástica artística, em Stuttgart (ALE).

Com um pouco de boa vontade, é possível colocar nesta lista aí a incrível vitória da seleção brasileira masculina de vôlei, que bateu a forte Polônia por 3 a 2 e ficou com a mão no título da Copa do Mundo do Japão. Conquista essa confirmada nesta segunda-feira, com um triunfo sobre os donos da casa.

Foi de fato um domingo para tirara a barriga da miséria, como diz o ditado. Em um único dia, o brasileiro pôde sentir um pouco do gosto que tem (às vezes) em uma jornada muito feliz numa Olimpíada (mais difícil) ou Pan-Americano (bem mais provável de acontecer).

Não quero dar uma de chato e estragar o clima, mas dias como este não devem ser esperados com muita frequência.

Primeiro, por uma questão simples. A feliz coincidência do calendário de eventos importantes fez com que todas estas vitórias ocorressem no mesmo dia, separados por um intervalo de poucas horas entre eles.

Depois, e talvez o mais importante, pela própria realidade do nosso esporte. Ainda estamos muito distantes de sermos uma “potência” olímpica. Nem sei se isso ocorrerá algum dia. Por isso mesmo nossas conquistas precisam ser muito valorizadas, pela dificuldade em alcançá-las.

Visão “resultadista”

Esta noção do nosso papel no cenário mundial também tem a ver como o brasileiro encara o esporte olímpico. Com as exceções que confirmam a regra, a mesma visão “resultadista” que impera no futebol também aparece a cada Olimpíada. E isso traz como tabela muitas vezes cobranças totalmente desprovidas de bom senso  em cima de vários atletas.

Em julho do ano que vem, convido você que me lê a conferir as redes sociais durante a Olimpíada de Tóquio, para ver como será o nível de cobrança em eventuais derrotas ou medalhas não conquistadas.

Esporte não é uma receita exata. Existem inúmeros fatores que contribuem em um resultado, alguns que ficam apenas nos bastidores. Estamos aprendendo a conhecer muitas modalidades e nesta síndrome de cobrar o resultado pelo resultado, muitas injustiças são cometidas.

É importante criticar com embasamento, cobrar o que é errado. Tudo isso faz parte de um processo de evolução. Ponderação e contextualização são sempre o melhor caminho, especialmente quando falamos de esporte olímpico no Brasil.

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