Diário esportivo: segue a coluna de hoje



Pitacos olímpicos (final)

Dizem que o maior defeito do povo brasileiro é não ter memória. Mas para tentar mostrar que nem tudo está perdido, faço questão de resgatar um trecho da coluna Diário Esportivo publicada em 21 de março, ou seja, quase cinco meses antes do início das Olimpíadas de Pequim. Na ocasião, o chefe da missão brasileira, Marcus Vinícius Freire, esbanjou otimismo sobre sua expectativa em relação à participação do Brasil.

Durante um evento realizado no Clube Pinheiros, Marcus Vinícius projetava uma evolução em relação aos Jogos de Atenas-04, quando o país ficou em 16 lugar no quadro geral de medalhas. “O objetivo é terminar entre os 10 primeiros colocados”, alardeou o cartola. Não custa lembrar que o Brasil terminou apenas na 23 colocação.

Antes que alguém fale alguma coisa, não vejo nada demais em uma pessoa ser otimista, muito pelo contrário. Faz bem para a alma, deixa a vida mais leve etc e tal. Mas em relação ao esporte olímpico brasileiro, otimismo não pode ser confundido com cegueira. Embora vitaminado por milhões de reais obtidos junto ao Governo Federal, o Brasil está a anos-luz de ser uma potência olímpica. O dinheiro investido quase sempre privilegia as mesmas modalidades ou os mesmos atletas de elite que acabam ganhando as medalhas de sempre. E no final, a caravana olímpica brasileira (que aumenta a cada edição dos Jogos) volta para casa, em sua grande maioria, com o sentimento de fracasso.

Dinheiro mal-investido
Nunca se investiu tanto no esporte olímpico brasileiro como nesta preparação para os Jogos de Pequim. No período entre 2005 e 2008, o esporte de alto rendimento do Brasil recebeu cerca de R$ 1,2 bilhão, cujo bolo foi montado a partir de verbas da Lei Agnelo/Piva, incentivos fiscais, patrocínios estatais e o programa Bolsa-Atleta. Jamais uma delegação esportiva do país teve tanto dinheiro à disposição. Pena que o resultado de Pequim tenha sido tão pífio.

Matemática reinventada
Apesar de algumas vitórias inesquecíveis e importantes, como as de César Cielo, na natação, Maurren Maggi, no atletismo, e da seleção feminina de vôlei, a maior prova da fraca participação brasileira na China foram as 15 medalhas exibidas ao final dos Jogos (três delas de ouro). Trata-se exatamente do mesmo número obtido pelo Brasil 12 anos antes, nas Olimpíadas de Atlanta-96, quando o investimento não chegava nem perto do atual. Pior foi ter que ouvir o presidente do COB, Carlos Nuzman, se desdobrando com os números para mostrar que houve uma clara evolução brasileira.

Para Londres-12, que se faça um controle mais rígido do destino das verbas públicas no investimento olímpico, com a criação de um programa de metas. Ou do contrário, daqui a quatro anos estaremos festejando os poucos heróis olímpicos de sempre e chorando as mesmas medalhas perdidas.



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