Diário Esportivo: e segue a coluna desta sexta no Diário de S. Paulo…



O vôo mais alto de Fabiana

Ao atingir a marca de 4m80 no último domingo, durante a realização do Troféu Brasil de Atletismo, a paulista Fabiana Murer alcançou um patamar raro na história da modalidade. A pouco mais de um mês para o início dos Jogos de Pequim, Fabiana chegará à China em reais condições de se tornar a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica no atletismo. E não se trata de um mero exercício de futurologia.

Aos 27 anos, a campineira de 1m72 e 57kg está no auge de sua forma física e técnica. Nas últimas três temporadas, Fabiana coleciona resultados expressivos, com destaque para a marca de 4m66 obtida em agosto de 2006, no SuperGP de Mônaco, quando começou a ser respeitada pelas adversárias. Também contribuiu para a mudança do status de Fabiana o fato de receber orientação do técnico ucraniano Vitaly Petrov, o mesmo que treinou o supercampeão Sergei Bubka, 35 vezes recordista do mundo. Com tudo isso, Fabiana Murer tem todo o direito de sonhar alto para Pequim.

Um salto de qualidade
A própria Fabiana reconhece que a grande virada em sua carreira ocorreu quando passou a receber orientações de Petrov, que atualmente treina a russa Yelena Isinbayeva, recordista mundial e atual campeã olímpica no salto com vara. Foi o técnico de Fabiana no Brasil, Elson Miranda, quem fez o contato com o ucraniano. “No início, ele mudou tudo, da forma como eu segurava na vara até a minha corrida” lembra Fabiana.

Treino alternativo
Engana-se, porém, quem pensa que Fabiana Murer sonhou a vida inteira com o atletismo. Durante dez anos, ela praticou ginástica artística. Foi apenas aos 17 que a paulista começou a treinar o salto com vara. “Eu sabia como ficar de ponta-cabeça, tinha noção do meu corpo no ar, tudo isso facilitou a adaptação”, conta a atleta. Mas ainda assim ela não deixou de praticar a ginástica como parte de seu treinamento. Segundo o técnico Elson Miranda, Fabiana utiliza alguns exercícios específicos, como barra, argola e solo, ao menos uma vez por semana.

Mulheres sem brilho
A história da participação feminina brasileira no atletismo é relativamente recente. A primeira vez que o país enviou uma equipe feminina aos Jogos Olímpicos foi em Londres, em 1948. Mas nestes 60 anos, os resultados foram pífios. Neste período, em 15 Olimpíadas realizadas, foram 61 brasileiras presentes em 13 edições — o país não enviou representantes em 1956 e 1972. E o melhor resultado foi o quarto lugar obtido por Aída dos Santos, no salto em altura, em Tóquio-64.

Baixaria no México
Uma historinha: nos Jogos do México (1968), o atletismo do Brasil tinha quatro atletas inscritas, mas só três competiram: Irenice Rodrigues, dos 400m, foi cortada após brigar com Maria Cypriano, do salto em altura, na Vila Olímpica.

Crédito da foto: Divulgação/CBAt



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