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César Cielo, eis um nome para se apostar em Pequim

Ele não foi chamado para estrelar anúncio de banco ou de lançamentos imobiliários. Mas sem fazer alarde, pode se tornar o grande nome da natação brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim. Os marqueteiros de plantão elegeram o competente Thiago Pereira como a maior esperança de medalha do Brasil nas piscinas, embalados pelo oba-oba ilusório do Pan do Rio, quando o nadador fluminense conquistou seis medalhas de ouro. Mas se tem alguém em condições reais de brilhar na China, este atende pelo nome de César Cielo.

Para ninguém dizer que estou baseando esta análise em critérios tendenciosos, vamos aos fatos. Neste ano, tanto Thiago quanto Cielo nadaram em provas ao lado do fenômeno americano Michael Phelps, o maior nadador do mundo na atualidade. É verdade que todos estão em início de temporada e que, teoricamente, irão evoluir muito até Pequim. Mas dentro d’água, Thiago ficou mais de quatro segundos atrás de Phelps nos 400m medley em fevereiro, enquanto Cielo bateu o americano por sete décimos nos 100m livre no GP de Ohio, no domingo. E ainda quebrou seu próprio recorde sul-americano. Algo me diz que os marqueteiros vão errar em suas previsões.

Luxação no dedão
Um detalhe curioso torna o feito de César Cielo ainda mais significativo. O nadador paulista, natural de Santa Bárbara D’Oeste, competiu os 100m livre com os dedões das mãos luxados. Ao tentar vestir o maiô, que estava bem apertado, ele deslocou os dedões, antes da final dos 50m livre, realizada no último sábado. Mesmo com dores, competiu e ficou em segundo lugar. No dia seguinte, ainda com os dedos inchados, deixou Phelps para trás.

A força da concorrência
Embora tenha superado Michael Phelps, César Cielo ainda está longe de ser considerado favorito absoluto nas provas de velocidade (50 e 100m) em Pequim. Primeiro, porque ninguém em seu juízo perfeito será capaz de afirmar que o americano — dono de seis medalhas de ouro nos Jogos de Atenas-04 — é carta fora do baralho. Fora isso, há ainda a concorrência de dois nadadores que impressionaram a todos no mês passado, batendo sucessivamente os recordes mundiais dos 50m: o francês Alain Bernard e o australiano Eamon Sullivan.

O mosquito da vergonha
Primeiro, o ginasta Diego Hypólito passa dias internado, infectado com a dengue; depois, a CBDA coloca em dúvida a realização do troféu Maria Lenk no Rio, também por causa do mosquito; por fim, a TV mostra imagens do estádio de remo da Lagoa com vários focos do Aedes Aegypti no local. São com estas credenciais que o Rio quer ser sede das Olimpíadas de 2016?

Foto: Sátiro Sodré/CBDA



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