Desilusão olímpica



Guilherme Dias, ex-atleta do taekwondo

A desilusão com o futuro do esporte olímpico do Brasil fez Guilherme Dias trocar o taekwondo pelo poker (Crédito: Divulgação)

 

* Coluna publicada na edição desta terça-feira (25/10) no LANCE!

A última sexta-feira marcou a data de dois meses do final dos Jogos Olímpicos Rio-2016. E por mais que muita gente tenha saudades das emoções e momentos inesquecíveis que aconteceram durante aqueles 17 dias de agosto, a verdade é que o pós-olímpico vem trazendo mais desilusões do que esperança no cenário esportivo brasileiro. Se já eram bem preocupantes as notícias de patrocínios sendo encerrados ou diminuindo o investimento para o próximo ciclo 2017-2020, de olho na Olimpíada de Tóquio, a coisa ficou ainda pior com as investigações feitas pelo Ministério Público de São Paulo sobre denúncias contra a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos).

E o cardápio apresentado é uma beleza: superfaturamento de valores de passagens aéreas, desvio de dinheiro para compra de equipamentos e materiais para a preparação de atletas de maratona aquática, nado sincronizado e polo aquático, além de repasse de pagamentos para empresas de fachada. A coisa está tão complicada que ontem, a 21 Vara Cível de São Paulo determinou, em caráter liminar, o afastamento do presidente da entidade, Coaracy Nunes, e de três diretores. As confederações de tiro esportivo e taekwondo também são investigadas pelo MP-SP.

Mas se a situação já é preocupante em relação às entidades, entre os atletas não é muito diferente. Vários já deixaram explícito o medo de voltarem aos árduos tempos de pouco patrocínio e muito sacrifício, muito comum até os anos 90, para conseguirem representar o Brasil em competições internacionais.

Há quem já tenha desistido de vez. Foi o caso do lutador de taekwondo Guilherme Dias, vice-campeão mundial em 2013 na categoria até 58 kg. Frustrado por não ter conseguido se classificar para a Rio-2016 (chegou até a desistir da seletiva olímpica), ele anunciou em sua página no Facebook que está deixando o esporte de alto rendimento para se tornar jogador profissional de poker, onde já faturou mais de R$ 200 mil só neste ano. A desilusão olímpica somada ao medo do futuro que virá para o esporte brasileiro já causaram uma baixa considerável. Será que outras virão pela frente?

Sem reembolso?

O comitê Rio-2016 passou por uma semana para esquecer, com o caso da confusão do reembolso dos ingressos revendidos pelo comitê Rio-2016. Sem conseguir fazer o retorno dos valores dos bilhetes recolocados à venda, cerca de 140 mil pessoas têm valores a receber dos organizadores. O Rio-2016 promete pagar a todos.

Wlamir eterno

Merecida a homenagem a um dos maiores jogadores do basquete brasileiro, Wlamir Marques, que no último sábado teve seu nome batizando o ginásio do Corinthians. Na década de 60, ele defendeu o Timão ao lado de craques como Amaury Pasos, Rosa Branca e Ubiratan Maciel. Wlamir é bicampeão mundial e duas vezes medalhista olímpico.



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