Crise na canoagem incomoda até o governo



“Já falei para o Tomazini, precisa ter diálogo. Não podemos desprezar nossos atletas. O Tomazini me prometeu que irá trabalhar para ter este diálogo. No que depender da gente, não faltará estrutura para treinamento a estes atletas”

A declaração do ministro do Esporte, George Hilton, na saída de sua  participação no 5º Fórum Nacional do Esporte, em um hotel em São Paulo, nesta quarta-feira (9), dá bem a noção de que ainda não foi superada a crise na canoagem velocidade do Brasil, deflagrada há menos de uma semana.

Na última sexta-feira (4), pouco antes de começar o evento-teste da canoagem para os Jogos Olímpicos do Rio 2-016, na Lagoa Rodrigo de Freitas, os principais nomes da modalidade se recusaram a competir, protestando contra a administração da CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem). Isaquias Queiroz, campeão mundial no C2 1000 m no último Mundial de Milão, comandou a manifestação, ao lado de outros expoentes da canoagem como Erlon Silva (campeão mundial ao lado de Isaquias), Nivalter Santos e Ronilson Olveira.

Entre as reclamações, os atletas apontaram os atrasos nos repasses do patrocínio do BNDES, principal apoiador da CBCa, que só não causou maiores prejuízos porque o COB (Comitê Olímpico do Brasil) bancou os salários dos atletas. Eles também ficaram revoltados com as instalações oferecidas pela confederação para o evento-teste no último final de semana, na Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx), onde estavam dormindo em beliches. Inclusive o renomado técnico espanhol Jesus Morlan.

Confederação de Canoagem publicou fotos para elogiar as instalações da Escola de Educação Física do Exército. Crédito: Divulgação

Confederação de Canoagem publicou fotos para elogiar as instalações da Escola de Educação Física do Exército. Crédito: Divulgação

A CBCa criticou a postura dos atletas, lembrou que houve um atraso na liberação de uma licença ambiental no projeto de Lagoa Santa, onde fica o centro de treinamento da canoagem velocidade, daí o atraso no pagamento do patrocínio do BNDES. Nesta quarta-feira, usou seu site para pedir desculpas ao Exército pelas críticas dos atletas. “Diferentemente do que os mesmos alegaram sobre as instalações do Exército Brasileiro, no Rio de Janeiro, os demais atletas e membros da comissão técnica da Canoagem Brasileira que estiveram hospedados recentemente no CCFEx ficaram satisfeitos em sua plenitude pela hospitalidade e atenção recebidas”, disse a nota da Confederação.

“Eles botaram a gente para dormir na escola do exército e botaram nosso treinador (Jesús Morlán) num beliche. Quero ver se o presidente da confederação está dormindo em beliche”, afirmou Isaquias Queiroz ao UOL Esportes.

O fato é que apesar do pedido de George Hilton e mesmo da preocupação demonstrada pelo COB, essa crise está longe de terminar. E a bem da verdade, não é a primeira vez que o presidente João Tomazini, no cargo desde 1989 (!), vê uma crise em sua entidade envolvendo reclamações de atletas. Em 2013, logo depois de ter conquistado a primeira medalha de ouro do Brasil em Mundiais, Isaquias Queiroz também abriu a bateria contra a entidade, acusando-a de tê-lo obrigado a assinar documentos sobre um par de remos que ele nunca recebeu. Fora outras barbaridades…

Por isso, caro ministro George Hilton, é possível que o senhor precise ter mais conversas ao pé de ouvido com os dirigentes da Confederação Brasileira de Canoagem, pelo andar da carruagem.