Ameaça de crise climática em Tóquio-2020 não é ‘fake news’



Ao contrário do que alguns conhecidos políticos adoram apregoar, a crise climática não é “fake news”, mas bem real. E há uma séria preocupação de que ela possa atrapalhar vários eventos da Olimpíada de Tóquio-2020.

O sinal de alerta foi ligado no último verão japonês, a dois anos da abertura dos Jogos. Uma intensa onda de calor fez com que os termômetros registrassem temperaturas acima dos 40 graus em vários dias. A onda de calor provocou no último verão, até o final de julho, mais de 80 mortes. Para piorar, uma série de tufões também atingiu o país na mesma época, causando mortes e deixando muitos desabrigados.

O forte calor que atingiu o Japão no último verão preocupa os organizadores da Olimpíada de Tóquio (Crédito: AFP)

A expectativa é que a Olimpíada de 2020 será a mais quente das últimas dez edições.

Claro que a ameaça à saúde dos atletas é mais do que evidente.

O risco de uma crise climática atrapalhando os Jogos é encarado com seriedade pelos organizadores. O tema será tratado durante a reunião do COI (Comitê Olímpico Internacional), que começou nesta sexta-feira (30) em Tóquio.

“Tóquio-2020 considera estas questões importantes e estamos trabalhando junto ao COI para diminuir seu impacto sobre atletas e torcedores”, afirmou Toshiro Muto, CEO do comitê organizador.

Maratona mais cedo

Uma das medidas que já foram tomadas foi colocar a largada da maratona para as 7h da manhã. Porém, depois do forte calor neste ano, já se fala em antecipar ainda mais a prova.

Mas os problemas podem atingir muitas outras provas. Boa parte dos 339 eventos que ocorrerão nos Jogos  serão realizados ao ar livre.

Por isso, o comitê organizador estuda fazer mudanças no orçamento, transferindo recursos para criar medidas que amenizem os efeitos do calor em Tóquio, sem que ocorra nenhum estouro de orçamento. A conta está fechada e a Olimpíada não poderá custar mais do que os US$ 12,6 bilhões previstos.

Os planos preveem o plantio de mais árvores, colocação de uma pavimentação que retenha menos calor e nebulizadores de água espalhados em diversos pontos. O objetivo é diminuir a sensação de calor em até 8°C.

A preocupação com que os japoneses tratam uma possível crise climática demonstra que o assunto é muito mais sério do que virar bravatas de políticos, que estão apenas preocupados com seus próprios interesses.



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