COI inaugura sede nababesca, mas não resolve o problema das eleições olímpicas



Não foi coincidência que o COI (Comitê Olímpico Internacional) inaugurasse sua nova sede neste domingo (23). Justamente quando se comemora seu aniversário de 125 anos, também conhecido como “Dia Olímpico”.

Até aí nenhum problema, inclusive não consigo pensar em uma data mais relevante para esta inauguração.

A questão que pega para mim é inaugurar um prédio ultramoderno, um dos mais ecológicos do mundo e que teria custado mais de R$ 500 milhões, segundo informa o jornalista Jamil Chade em seu blog, perto de uma data tão importante.

O COI fará nesta segunda-feira (24) a escolha da sede olímpica da Olimpíada de Inverno de 2026. E enquanto tem suas contas cada vez mais no azul, a entidade também sofre para achar uma solução sobre a falta de interessados em receber seus Jogos.

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Para a corrida olímpica de 2026, restaram apenas duas ofertas de candidatura. Uma das cidades suecas Estocolmo e Are, e a outra uma candidatura conjunta italiana de Milão e Cortina d’Ampezzo. As “bolsas de aposta” informais, que sempre aparecem em eventos como este, apontam que a candidatura italiana leva um leve favoritismo.

O anúncio da cidade vencedora será feito pelo presidente do COI, o alemão Thomas Bach, a partir das 13h (horário de Brasília).

Ao longo dos últimos anos, relevantes cidades deram um sonoro “não” para o COI. O último deles, e talvez um dos mais inesperados, foi o da canadense Calgary, que já recebeu os Jogos de 1988. Um plebiscito apontou uma rejeição de 56,4% da população da cidade.

Antes, já tinham desistido de seguir na briga Innsbruck (AUT), Oslo (NOR), Munique (ALE), Sion (SUI) e Sapporo (JAP).

O motivo, como este blog vem batendo há muito tempo, é que a conta não fecha para quem se aventura a receber uma Olimpíada, seja de Verão ou Inverno. O discurso do COI de estar preocupado com a sustentabilidade destas candidaturas me parece muito tímido até agora.

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Por isso, soa para mim quase como uma provocação a declaração do australiano John Coates, que lidera o grupo de trabalho que busca reformular os processos de candidaturas.

“Não é irracional dizer que antes que consideremos uma cidade [candidata], é preciso que ela nos satisfaça e tenha o apoio público e do governo e, consistentemente com isso, se a cidade for de um país que exija referendo, procure o COI depois de fazê-lo. Nós não gostamos de aceitar cidades e depois elas desistirem”, disse o australiano.

A declaração com tom arrogante do australiano, deixa claro que o COI ainda está longe de fazer uma necessária autocrítica de seus próprios problemas.

O recado tem sido claro, dado pelos próprios plebiscitos que muitas cidades já realizaram antecipadamente. Basta a cartolagem olímpica tirar a venda dos olhos e entender os sinais.