Após ameaça, COI avisa a atletas que haverá boxe em Tóquio-2020



É incrível como os dirigentes do COI (Comitê Olímpico Internacional) adoram a tática do “morde e assopra”. Após avisar na sexta-feira (30) que estava “congelando” o boxe para Tóquio-2020, o discurso mudou neste sábado (1º). No encerramento da reunião do comitê executivo da entidade, na capital japonesa, o alemão Thomas Bach, presidente da entidade, fez questão de tranquilizar os atletas. Se depender do COI, haverá sim a realização do torneio olímpico de boxe na próxima Olimpíada.

Agora, quem irá organizar e supervisionar o evento, aí é outra história.

Thomas Bach assegurou que haverá um torneio de boxe na Olimpíada de Tóquio (Crédito: Flickr/COI)

Em sua tradicional entrevista coletiva, que sempre faz nos encerramentos dos eventos oficiais do COI, Bach tratou de colocar água na fervura. O clima, como se esperava, ficou pesado após a divulgação de uma declaração do comitê executivo nesta sexta-feira. A entidade criticou durante a Aiba (Associação Internacional de Boxe), em particular seu presidente, o uzbeque Gafur Rakhimov.

E pior: abria um inquérito para investigar a entidade e congelava os preparativos para a organização do boxe em Tóquio. Uma decisão destas, quando faltam exatamente 600 dias para a abertura da Olimpíada de 2020, significa quase o caos.

Daí a necessidade das palavras tranquilizadoras de Bach, amenizando a dura conclusão do relatório dos membros do comitê executivo.

“Faremos todos os esforços para proteger os atletas, como sempre fazemos quando se trata de sancionar uma organização relacionada aos Jogos”, disse o alemão. “Sim, queremos o boxe nas Olimpíadas e iremos trabalhar duro para isso. Não queremos que os atletas sofram com o mau comportamento de dirigentes ou outras pessoas”, reforçou o presidente do COI.

Apesar de preocupado em tranquilizar atletas e mesmo o comitê organizador de Tóquio-2020, Bach não aliviou nas críticas à Aiba. O manda-chuva do COI lembrou dos problemas de Rakhimov com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. As acusações de ligação com o crime organizado na Ásia já impediriam o uzbeque, segundo Bach, de viajar para determinados países.

Até simples questões admnnistrativas já estão travando a vida da Aiba. Um banco suíço, segundo o site “Inside The Games”, encerrou uma conta corrente com a entidade porque não queria estar associada à Rakhimov.

Nada pessoal

Thomas Bach afirmou ainda neste sábado que não existe uma questão pessoal do COI contra o dirigente da Aiba. “Pela decisão do comitê executivo, fica claro que nos preocupa o fato de ele ter restrições para exercer sua função de presidente”, afirmou o alemão.

Obviamente que Gafur Rakhimov nega todas as acusações. Ele diz que o governo anterior do Uzbequistão é responsável por ter “queimado seu filme” diante da comunidade internacional. Mesmo assim, diz estar trabalhando para retirar seu nome da tal lista do Departamento do Tesouro americano.

Independentemente da situação do presidente da Aiba, o fato é que o COI perdeu uma excelente oportunidade para resolver a situação do boxe em Tóquio.

Com acusações de má gestão financeira e até manipulação de resultados no boxe olímpico, o caminho era já determinar uma outra entidade para assumir sua administração.

Pelo menos dois gigantes do boxe profissional já deram sinais de que poderiam assumir a tarefa de reorganizar o boxe olímpico. A AMB (Associação Mundial de Boxe) e CMB (Conselho Mundial de Boxe) disseram que têm condições de cuidar do evento em Tóquio.

A preocupação maior é o calendário. Os organizadores japoneses pedem uma solução rápida, mas nada deverá acontecer antes de junho de 2019, data da próxima reunião dos dirigentes do COI, em Lausanne (SUI).

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