Menos dinheiro faz COB premiar competência com verbas das loterias



Agberto Guimarães

Agberto Guimarães, diretor executivo do COB, explica os critérios do repasse da Lei Agnelo/Piva para 2017 (Crédito: Rafael Bello/COB)

Existe uma expressão famosa nas redações chamada “antinotícia”, ou seja, quando não há exatamente novidades em um determinado fato que é publicado. O anúncio da queda de arrecadação no repasse das verbas das loterias, para as confederações esportivas, via Lei Agnelo/Piva, na última terça-feira (20), não pode ser considerada exatamente uma surpresa. Há muito se falava que o cofre ficaria mais restrito após o final dos Jogos Rio-2016.

A divulgação dos valores feita pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), portanto, seguiu apenas o roteiro já bastante batido neste blog a respeito do quadro nada animador que retratará o universo do esporte brasileiro no próximo ciclo olímpico, rumo a Tóquio-2020. Mas é possível também pescar algumas coisas positivas. Confira abaixo a análise do blog sobre o repasse da Lei Agnelo/Piva para as confederações esportivas em 2017:

Meritocracia premiada

Durante muitos anos, uma palavra que Marcus Vinicius Freire, antigo diretor executivo de esportes do COB, adorava repetir era “meritocracia”, sempre que se referia à distribuição dos recursos da Lea Agnelo/Piva para as confederações. Nem sempre isso ocorreu, pois a maior fatia do bolo sempre privilegiava entidades que tinham robustos patrocínios de empresas estatais, como o vôlei e os esportes aquáticos, em detrimento de outras modalidades menos badaladas.

Uma análise nos números anunciados por Agberto Guimarães, ex-atleta olímpico do atletismo e sucessor de Freire no COB, demonstra que a meritocracia aparentemente entrou em ação.

Mesmo com valores menores do que os repassados em 2016, as entidades que estão nas faixas mais altas são justamente aquelas que melhores resultados conseguiram na Olimpíada do Rio, como vôlei (incluindo quadra e praia), judô, vela, atletismo, boxe, canoagem e ginástica. Até mesmo quem não conseguiu medalhas mas mostrou um trabalho consistente e sério, como o rúgbi, integrou este grupo.

Critérios claros

Um dos pontos positivos no repasse das verbas das loterias para 2017 foi estabelecer critérios nada misteriosos. Cada confederação foi analisada de acordo com 10 quesitos, que entre outros pontos, analisava quantidade de medalhas conquistadas na Rio-2016 e nas três últimas edições dos Jogos; ter ficado no top 8 nas três últimas Olimpíadas; ter sido medalhista em Mundiais no último ciclo olímpico; e por fim, análise criteriosa da gestão financeira de cada entidade.

Maior rigor com a má gestão

Ficou claro pela apresentação da última terça-feira que confederações que sofrem com a má gestão de seus presidentes terão que melhorar seus processos se quiserem aumentar os recursos da verba das loterias para 2017. Após a aplicação dos dez critérios explicados no tópico acima, o COB estabeleceu um fator de correção de corte, na casa de 20%, para dez confederações: basquete, ciclismo, desportos aquáticos, handebol, hipismo, remo, tênis, tênis de mesa, tiro esportivo e triatlo.

Coincidência ou não, quatro delas terminam 2016 envolvidas em denúncias de má gestão, investigações do Ministério Público e até punições esportivas. São os casos do basquete, que tem a Confederação Brasileira suspensa pela Fiba (Federação Internacional de Basquete); desportos aquáticos, cuja gestão de Coaracy Nunes é acusada de desvio de recursos públicos e fraudes em prestações de contas; tênis, cujo presidente da entidade, Jorge Lacerda, é investigado pela Justiça por desvio de verba do Ministério do Esporte; e handebol, que tem a confederação investigada pela prestação de contas suspeita referente ao Campeonato Mundial de 2011, em São Paulo.

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Nesta lista aí, embora sem se encaixar no fator de correção, também está o taekwondo, cuja confederação tem nada menos do que o presidente e vice afastados pela Justiça, por denúncias de desvio de verbas públicas.

Só que para estas confederações terem direito à verba extra do fator de correção, precisarão fazer a lição de casa. A partir de janeiro, o COB irá se reunir com elas, que deverão apresentar projetos de desenvolvimento de seus atletas para então terem direito ao reforço no caixa.

Ao ser questionado pelo blog se esta retenção de recursos não irá prejudicar o início de preparação dos atletas destas respectivas confederações no próximo ciclo olímpico, o COB disse, via assessoria de imprensa, que seu maior objetivo é melhorar a saúde financeira de seus filiados.

– O COB tem o objetivo de preservar ao máximo as condições de preparação dos atletas rumo aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, mas pretende também avançar no compromisso de aprimorar a gestão financeira das Confederações, fundamental para o desenvolvimento do esporte brasileiro a médio e longo prazo.



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