COB pode encarar primeira eleição com oposição após ‘crise do estatuto’



Integrantes da Comissão de Atletas votam durante a revisão do estatuto do COB (Crédito: Divulgação)

O Facebook tem uma ferramenta interessante, que relembra postagens que você faz em determinada data. Nesta sexta-feira (29), a plataforma relembrou um de exatos dois anos, que tem tudo a ver com o atual momento do esporte olímpico nacional.

Naquele dia, publicava no blog post comentando um recuo histórico dos integrantes da Assembleia Geral do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), em meio à implantação do novo estatuto da entidade. Em 27 de novembro de 2017, os cartolas, diante da pressão da comunidade dos atletas olímpicos, marcaram uma nova assembleia. O motivo era para aprovar a ampliação do número de atletas com direito a voto, de cinco para 12.

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Na época, ainda assustados com a repercussão da queda de Carlos Arthur Nuzman, defenestrado por denúncias de ter participado do esquema de compra de votos para a Olimpíada Rio-2016, a cartolagem recuou por medo. A exigência era de mudança total e por mais transparência.

Recém-empossado no cargo, o presidente Paulo Wanderley Teixeira acatou o desejo da comunidade e no início de dezembro daquele ano, após nova assembleia, foi aprovado o novo estatuto. Maior participação dos atletas descentralização do poder, com a criação de um Conselho de Administração (CA) e mais importante ainda, a criação do Comitê de Ética (CE), com amplos poderes para investigar e zelar pela boa governança do esporte olímpico.

Eis que dois anos depois, no momento da revisão do estatuto, o presidente do COB propôs mudanças polêmicas e sensíveis. O resultado desta iniciativa poderá custar caro para a atual gestão.

Paulo Wanderley viu derrotada as propostas mais polêmicas. Ambas enfraqueceriam a transperência da entidade, de acordo com seus críticos. A que previa a saída de um atleta do CA, além da retirada dos comitês de conformidade e compliance do guarda-chuva do CE. As propostas detonaram críticas ao longo do dia de ontem de atletas e de integrantes do CE, como o advogado Alberto Murray, presidente do órgão.

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No texto final, o espaço da Comissão de Atletas dentro da Assembleia do COB foi ainda ampliado, passando para 25 membros, sendo 19 com direito a voto.

Se o resultado da revisão do estatuto evitou um retrocesso, também deflagrou um racha pouco comum no COB.

Já se fala abertamente que uma chapa de oposição será lançada na próxima eleição, prevista para novembro de 2020. O candidato seria Sami Arap, integrante do CE e ex-presidente da CBRu (Confederação Brasileira de Rúgbi).

Não se sabe se Paulo Wanderley tentará a reeleição ou poderá lançar outro candidato. O nome do vice, Marco Antonio La Porta, aparece como nome natural. O fato é que há 40 anos que não ocorre uma eleição de fato, com duas chapas concorrendo pelo poder. A última vez, em 1979, opôs Sylvio de Magalhães Padilha, então presidente da entidade, e o então ainda pouco conhecido Carlos Nuzman, presidente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).

Ao forçar a mão na revisão estatutária, Paulo Wanderley pode ter arrumado sarna para se coçar.



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