Caso de racismo na ginástica também expõe uma crise na nossa educação



Angelo Assumpção comemora sua apresentação na etapa da Copa do Mundo de ginástica artística, realizada em São Paulo, no começo de maio. Crédito: Ricardo Bufolin/CBG

Angelo Assumpção comemora sua apresentação na etapa da Copa do Mundo de ginástica artística, realizada em São Paulo, no começo de maio. Crédito: Ricardo Bufolin/CBG

Ainda repercute bastante o lamentável episódio que envolveu quatro atletas da seleção brasileira de ginástica artística, quando o jovem Ângelo Assumpção, de apenas 18 anos, que sofreu ofensas racistas de outros três integrantes da equipe, Arthur Nory, Fellipe Arakawa e Henrique Flores. Um vídeo, que foi colocado em uma rede social, mostrava as “brincadeiras” dos três colegas, que citavam sacos de lixo e telas de celulares em referência à cor da pele de um Assumpção visivelmente incomodado. Fim da picada.

Obviamente o caso tomou proporções enormes, e nem mesmo a publicação de um outro vídeo, no qual Nory, Arakawa e Flores pediam desculpas a Assumpção, que estava ao lado deles, amenizou a situação. A CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) acertadamente suspendeu os três ginastas, que também tiveram bloqueados os pagamentos do bolsa atleta no período do gancho.

Mas o triste caso vai além de um lamentável episódio de racismo.

Já houve quem comparasse a atitude dos três ginastas a da torcedora do Grêmio que ofendeu o goleiro Aranha, então atuando pelo Santos, em um confronto pela Copa do Brasil do ano passado. São atos deploráveis, mas não vejo conexão entre eles, pois no caso da ginástica artística, os quatro atletas convivem na seleção brasileira há tempos e um dos técnicos da equipe nacional, Marcos Gotto, é pai de Ângelo Assumpção. Se este tipo de postura se repetisse com frequência, muito provavelmente Gotto já teria feito um baita barulho junto à CBG. Fora que já teria vazado para o público, nestes tempos em que tudo é compartilhado e postado por aí.

A meu ver, a triste postura de Nory, Flores e Arakawa mostra o quanto estamos falhando na educação no Brasil. Porque não é possível admitir que em um país multirracional como o nosso, três jovens atletas que não tem mais do que 25 anos achem normal hoje em dia fazer uma brincadeira comparando a cor de um saco de lixo com a de um colega negro.

A falha está lá atrás, em um sistema educacional falido, com poucas escolas, classes abarrotadas, professores mal remunerados e o resultado é ver atletas de alto rendimento do esporte brasileiro achando “engraçado” fazer um bullying racial com um colega de seleção e depois fazerem um vídeo meia-boca pedindo desculpas.

Uma pena que tudo isso tenha ocorrido justamente em um momento em que a ginástica masculina do Brasil vive um momento tão bom, após ter colocado a equipe em sexto lugar no último Campeonato Mundial, o que já cria uma boa expectativa de classificar, pela primeira vez na história, a equipe para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, no Mundial de Glasgow, no segundo semestre.

Resta saber se as piadas racistas de Arthur Nory, Felipe Arakawa e Henrique Flores terão consequências também no desempenho da equipe.



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