Carta de despedida da Luiz Lima diz muito sobre o momento do esporte brasileiro



Luiz Lima, que se demitiu da secretaria de Alto Rendimento do ministério do Esporte, no projeto social da campeã olímpica no vôlei de praia, Jackie Silva (Crédito: Reprodução)

O ex-nadador Luiz Lima não é mais secretário de alto rendimento do ministério do Esporte. Ele usou sua página no Facebook para explicar os motivos de sua saída e também agradecer ao ministro Leonardo Picciani a oportunidade de ter ocupado a pasta. Ele foi escolhido para o lugar de Ricardo Leyser assim que o atual presidente Michel Temer assumiu o cargo, após o impeachment de Dilma Rousseff.

Ele será substituído por Rogério Sampaio, ex-judoca campeão olímpico em Barcelona-1992

Lima, que como atleta se especializou em provas de longa distância, tendo sido campeão pan-americano nos 400 m livre em Winnipeg-1999, além de duas pratas nos 1.500m nos Pans de Mar del Plata-95 e Winnipeg-99, deixou em sua carta de despedida algumas pistas bem interessantes sobre os rumos do esporte brasileiro. Em especial do próprio ministério do Esporte, que além de não conseguir implantar uma verdadeira política esportiva para o país (só pra variar), ainda está enroscado em ter que administrar o Parque Olímpico da Barra da Tijuca, o que não estava previsto no plano original do legado da Rio-2016.

Reproduzo abaixo o trecho mais importante do post de Luiz Lima, que pela repercussão de sua saída no meio esportivo, vinha fazendo um bom trabalho no Alto Rendimento:

“Amigos, chegou um momento que a minha política não cabia mais dentro do Ministério do Esporte, separar o Luiz com uma formação de atleta e professor, do Luiz secretário ligado à um sistema que precisa dar uma guinada de 180 graus, se tornou incompatível com as minhas verdades e com a educação passada por meus pais, passaram a existir mais divergências do que convergências. Algo normal em qualquer relação de trabalho, posso estar certo ou errado , mas não poderia continuar, talvez se o teria feito, atrapalhar o andamento da escolha feita pelo próprio Ministério”.

Visita técnica?

Para quem não sabe, o ministro Piccini recebeu uma autorização do presidente Michel Temer, publicado no Diário Oficial, para fazer uma “visita técnica” de 9 a 16 de julho, durante o Torneio de Wimbledon, em Londres. A justificativa: o Brasil está pleiteando levar o Rio Open para o Centro Olímpico de Tênis e o ministro planeja ter reuniões com a ATP.

Detalhe: visita técnica em um torneio em quadra de grama, sendo que no Rio de Janeiro o evento aconteceria em quadra dura…

Sem comentários.

 



  • Alessandro Marques Serrato

    Detalhe: Wimbledon não é organizado pela ATP. Os quatros Grand Slam são os únicos torneios que a ATP não organiza, ficando por conta da ITF. Ministro Picciani, se deu esta desculpa de visita técnica, melhor arrumar outro assunto.

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