O que esperar da ‘nova’ Era Nuzman ?



Carlos Arthur Nuzman, eleito para seu sexto mandato no COB, cumprimenta Paulo Wanderley, que será o seu vice (Crédito: Heitor Vilela/COB)

Carlos Arthur Nuzman, eleito para seu sexto mandato no COB, cumprimenta Paulo Wanderley, que será o seu vice (Crédito: Heitor Vilela/COB)

Sem qualquer surpresa, Carlos Arthur Nuzman foi escolhido nesta terça-feira para seu sexto mandato como presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil). No cargo desde 1995, Nuzman terá neste novo ciclo como seu vice Paulo Wanderley, mandatário da CBJ (Confederação Brasileira de Judô).

No embalo da boa participação (em número de medalhas) nos Jogos Olímpicos Rio-2016, o veterano dirigente de 74 anos foi  praticando aclamado na eleição desta terça: 24 votos a favor e somente um contra (de Alaor Azevedo, presidente da Confederação de Tênis de Mesa), num colégio eleitoral de 30 confederações.

“Vamos prosseguir no trabalho contínuo com as Confederações para elevar o nível técnico dos atletas brasileiros de alto rendimento e inspirar a juventude brasileira para os valores do esporte olímpico”, disse Nuzman em seu discurso de posse, na sede do COB, no Rio de Janeiro. Mas a realidade que se desenha para o ciclo olímpico de Tóquio 2020 se mostra bem menos aprazível do que demonstra o discurso do dirigente.

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O maior desafio certamente será o de lidar com os cofres menos abastados do que o esporte brasileiro se acostumou nos últimos quatro anos. A sinalização de que irá diminuir os investimentos em diversas confederações já havia sido feito pelo próprio Ministério do Esporte, que ainda não confirmou como será feita a nova distribuição de verbas em programas para diversas confederações. Este porém não é o pior dos problemas.

Na última semana, o presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Jorge Lacerda, enviou mensagem às federações estaduais informando que os Correios, principal patrocinador da entidade, poderá reduzir para até 15% do valor investido até este ano, em razão de prejuízos mostruosos que a empresa acumulou no último ano. O corte promete ser tão forte que deverá atingir outras entidades apoiadas pela estatal, como handebol e natação.

Outras estatais já sinalizaram que deverão cortar ou mesmo reduzir drasticamente seus investimentos no esporte olímpico. A esgrima poderá ficar sem boa parte do patrocínio da Petrobras, após o presidente da CBE, Gerly dos Santos, informar a atletas e treinadores o fim dos convênios e programas de treinamentos.

Nuzman também terá que conviver com uma verdadeira devassa da Justiça em seus filiados, por conta de denúncias de corrupção em algumas delas. O caso mais barulhento é o da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), que sofre uma investigação do Ministério Público de São Paulo. O taekwondo já teve seu presidente (Carlos Fernandes) afastado por corrupção, enquanto o tiro esportivo também está sendo investigado.

O COB versão 2016/20 de Carlos Nuzman também não contará mais com a presença de Marcus Vinicius Freire no cargo de diretor executivo de esportes, depois de 18 anos. Em seu lugar, estará Agberto Guimarães, ex-atleta olímpico do atletismo e que trabalhou no mesmo cargo da Rio-2016, que ainda precisará de um tempo para se adaptar à nova função conhecer bem os bastidores das confederações e seus problemas.

O cenário está muito longe de apresentar o otimismo que Nuzman diz aguardar em mais um mandato à frente do COB.



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