A caminho do Rio (99) – Sob inspiração de um velho amigo



Claudio Kano e Hugo Hoyama exibem as medalhas de ouro conquistadas no Pan de Havana 1991 (Crédito: site oficial de Hugo Hoyama)

Claudio Kano e Hugo Hoyama exibem as medalhas de ouro conquistadas no Pan de Havana 1991 (Crédito: site oficial de Hugo Hoyama)

O vôo para Atlanta, em 1996, foi longo. Primeira cobertura olímpica “in loco”, ansiedade a mil, o destino final seria Nova York e depois Nova Jersey, onde a Seleção Brasileira de futebol faria seu último amistoso preparatório contra um combinado de jogadores da Major League Soccer (MLS).

Depois de encarar mais de dez horas de vôo e passar pelos cansativos procedimentos de alfândega, a única coisa que você quer é ir logo para seu hotel, tomar um banho e já partir para a batalha. Mas notícia não escolhe hora. Pois na hora em que eu deixava a área de bagagem do Aeroporto John F. Kennedy, eis que vejo saindo ao meu lado a equipe brasileira de tênis de mesa, todos ainda abalados pela trágica morte de seu principal jogador, Claudio Kano.

Considerado por muitos como o melhor jogador da história do tênis de mesa brasileiro, tendo inclusive jogado na liga profissional da Suécia, Kano perdeu a vida em um acidente de moto, horas antes de embarcar com a delegação para os Estados Unidos. Sua moto foi atingida por um carro na Marginal Pinheiros, morrendo na hora.

>>> E mais: Nigerianos sem glamour, mas com ouro no peito

Talvez quem mais tenha sentido o baque tenha sido aquele que se tornou o herdeiro do legado de Kano na Seleção Brasileira, Hugo Hoyama. Juntos, conquistaram quatro medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos, em duplas e por equipes, nas edições de Havana 1991 e Mar del Plata 1995. Em Atlanta, disputariam a Olimpíada juntos pela segunda vez, depois de Barcelona 1992.

Ao seu lado, saindo da área de desembarque, comecei um diálogo corriqueiro, falando do voo e perguntando sobre o destino deles a partir de lá. Como só eu de jornalista estava lá, foi tudo bem tranquilo. Até que comecei a falar de Kano e perguntei sobre como a equipe estava reagindo à tristeza da morte do companheiro. Com olhos marejados, Hoyama não pensou duas vezes: “Vou jogar por ele em Atlanta”.

E as palavras não foram à toa. Em Atlanta, Hugo Hoyama obteve a melhor colocação de um mesa-tenista brasileiro em Olimpíadas, terminando em nono lugar, ao ser eliminado nas oitavas de final pelo tcheco Petr Korbel. O brasileiro conseguiu cravar ainda uma vitória sobre o sueco Jorgen Persson, então campeão mundial.

A inspiração do amigo Claudio Kano ajudou demais Hugo Hoyama em Atlanta 1996.



MaisRecentes

Liberação da Fiba é o mais novo título mundial do basquete brasileiro



Continue Lendo

Herói olímpico dos EUA desafia escândalo sexual no Mundial de taekwondo



Continue Lendo

Com medalhista olímpico, Brasil estreia sábado no Mundial de taekwondo



Continue Lendo