O calote do Comitê Rio-2016 é uma vergonha que ficará para sempre



Parque Olímpico Rio-2016

Visão aérea do Parque Olímpico Rio-2016, cujo legado ainda é uma incógnita (Crédito: Ricardo Sette)

É incrível, mas quando menos esperamos, os conceitos de vergonha alheia são atualizados sempre que o assunto é o cenário pós-Jogos Olímpicos Rio-2016. Dois dos principais jornais do Brasil trazem em suas edições desta sexta-feira (20) reportagens demonstrando que o vexame ainda está longe do seu final.

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A “Folha de S. Paulo”, por exemplo, traz uma matéria mostrando que a dívida do Comitê Rio-2016 é de R$ 160 milhões, maior do que os R$ 132 milhões anunciados em abril deste ano. Pior: o advogado do então presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, admitiu em carta que o comitê está “insolvente” e recomenda um pedido de recuperação judicial, suspendendo todos os pagamentos aos credores.

Com sorte, ele disse, conseguiriam um desconto de até 54% para quitar as dívidas. Para isso, eles contavam com uma “força” do COI (Comitê Olímpico Internacional). O pedido de ajuda extra seria feito pessoalmente por Nuzman durante a Assembleia Geral realizada em Lima (Peru). A realização da Operação “Unfair Play”, braço da Operação Lava Jato, frustrou os planos de Nuzman. Levado a depor como suspeito de participar do plano que levou a compra de votos para a eleição do Rio de Janeiro em 2009, ele teve os passaportes confiscados. Exatamente um mês depois, acabou preso (foi liberado ontem, por decisão do STJ).

Já a edição do “Globo” publica uma entrevista com Marcus Vinícius Freire, ex-diretor superintendente do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Foi a primeira vez que ele se manifestou desde que deixou o cargo, em setembro do ano passado. E mesmo sem ter participação na organização da Olimpíada, Marcus Vinícius, atualmente CEO do Fluminense, disse acreditar que a dívida do Comitê seria maior do que os R$ 132 milhões anunciados em abril e não acredita que ela possa ser paga.

Por mais que muito já tenha sido falado e escrito sobre os caminhos tortuosos que cercam a realização da Rio-2016, nunca é demais ressaltar. Estamos diante do maior vexame da história do esporte olímpico mundial. Para quem batia no peito e dizia que o Rio de Janeiro deixaria os Jogos de Barcelona-1992 no chinelo, a realidade é bem mais cruel. Na prática, institucionalizou-se o calote. Quem tem a receber, inclusive pessoas físicas que colocaram seus ingressos à venda pelo site dos Jogos e até hoje não foram reembolsados, resta apenas lamentar.

O Rio-2016 conseguiu a proeza, vejam só, de superar o vexame de Montreal-1976, a Olimpíada mais deficitária da história e que demorou mais de 30 anos para quitar sua dívida. Uma vergonha!

Sem Prêmio Brasil Olímpico

Como desgraça pouca é bobagem, a coluna “Gente Boa”, também do Globo, informa que o Prêmio Brasil Olímpico, que homenageia os destaques do movimento olímpico do país e que estava previsto para 21 de dezembro, foi cancelado. O chamado “Oscar” do esporte nacional não será realizado por causa do momento difícil pelo qual passa o COB. Quase certo que outro motivo relevante foi o caixa esvaziado que o Comitê Olímpico tem atualmente, ainda mais sem patrocinadores de peso desde o final do ano passado. Que fase…

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