Calderano espera repetir no Mundial desempenho da Rio-2016



O Campeonato Mundial de tênis de mesa, que começa nesta segunda-feira (29) e vai até o dia 5/6 em Dusseldorf (ALE), tem um motivo especial para que o torcedor brasileiro o acompanhe com atenção. O jovem carioca Hugo Calderano, de apenas 20 anos, passou a se tornar uma referência para a modalidade no país, depois da ótima campanha na Olimpíada Rio-2016. Na ocasião, chegou às oitavas de final, terminando numa excelente 9ª colocação.

Após ter alcançado no último mês de janeiro o 17º lugar no ranking no ranking da ITTF (Federação Internacional de Tênis de Mesa), a principal colocação já obtida por um brasileiro, Calderano passou a ser apontado como esperança para um resultado igualmente inédito no Mundial. Uma lesão no ombro no início da temporada, que o deixou parado por dois meses, esfriou um pouco a expectativa. Ainda assim, o brasileiro mostra confiança.

“É a primeira vez que chego a um Mundial como um atleta que pode surpreender, avançar mais rodadas. No anterior, eu era muito novo, seria uma surpresa muito grande. Agora, pelos resultados que conquistei desde então, já tenho um nome maior no circuito”, disse o mesa-tenista carioca, atualmente o 25º melhor do mundo. Ele nem terá problemas de adaptação ao fuso horário. Ele defende há duas temporadas o clube alemão Ochsenhausen, com contrato assinado até a temporada de 2019.

Em entrevista ao Laguna Olímpico, Hugo Calderano fala de sua expectativa para o Mundial de Dusseldorf. Cabeça-de-chave nº 21 na chave de simples e 5 em duplas (ao lado de Gustavo Tsuboi), Hugo Calderano fará sua estreia no dia 31 (quarta), contra um adversário a ser definido, e no dia 30 (terça), ao lado de Tsuboi, diante dos egípcios Omar Assar e Mohamed El-Beiali.

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Nesta segunda, haverá as estreias de Eric Jouti, Vitor Ishiy e Bruna Takahashi pela fase classificatória. Jouti está no Grupo 15 e pegará o congolês Abiodun Lawal, às 11h30 (horário de Brasília). Ishiy, que está no Grupo 23, estreia contra o venezuelano Cecilio Correa, também às 11h30. Bruna Takahashi, de apenas 16 anos, está no Grupo 7 e enfrentará Aukse Geceviciute, da Lituânia, às 13h45. O Mundial tem a participação de mais de 700 atletas de 130 países.

Confira a entrevista:

Depois de um 2016 excepcional, com sua ótima participação na Olimpíada, como você está projetando 2017?
HUGO CALDERANO – Comecei o ano com uma lesão que me obrigou a parar por 2 meses. Isso comprometeu um pouco a minha temporada, mas estou recuperando o tempo perdido e espero conseguir jogar no meu melhor nível ainda nesse semestre.

Acredita que poderá repetir neste Campeonato Mundial o mesmo desempenho que teve na Olimpíada Rio-2016?
Um Mundial é muito mais concorrido do que as Olimpíadas, não só no tênis de mesa mas acredito que em várias modalidades, pois há mais atletas de cada país participando. Não gosto de estabelecer limites ao meu desempenho, principalmente em competições importantes, então, sim, espero repetir ou até melhorar minha atuação.

A respeito da equipe brasileiro como um todo, o que podemos esperar da participação do Brasil? O que pode ser apontado como um bom resultado?
É difícil fazer uma previsão. Acredito que, no individual, chegar nas oitavas de final pode ser considerado um bom resultado. Nas duplas estamos otimistas pois temos duas duplas fortes com bons resultados internacionais. Se tivermos o nosso melhor desempenho podemos pensar em pódio.

Quais serão as maiores dificuldades que você imagina que irá encontrar neste Mundial?
Como o Mundial conta com a participação de mais atletas de cada pais, todos os melhores do mundo estarão participando. O nível da competição é muito alto e a concorrência é muito grande.

Como você vê o tênis de mesa brasileiro neste próximo ciclo olímpico? O Brasil tem condições para evoluir além do que já conseguiu até a Rio-2016? O que precisaria ser feito para ir além?
Tivemos um grande investimento até a Rio 2016, que já sabemos que não se repetirá. Ainda assim, tenho esperança de que vamos poder aproveitar de alguma forma o legado para continuar buscando oportunidades de desenvolver, não somente o tênis de mesa, mas todo o brasileiro, que tem muitos talentos, mas infelizmente não tem os recursos necessários para chegar ainda mais longe.

O esporte olímpico brasileiro está passando por um momento delicado, com saída de patrocinadores e várias confederações vendo dirigentes sendo acusados de má gestão. De que forma essa crise poderá prejudicar a preparação dos atletas brasileiros até Tóquio-2020?
Vai prejudicar muito a preparação. Durante o último ciclo olímpico, o tênis de mesa recebeu basicamente investimento público. Outras modalidades tiveram mais apoio de empresas privadas, mas muitas pararam de investir no esporte. Isso já era esperado, mas a crise e os casos de má gestão pioraram a situação. A partir de 2017 tive a sorte de passar a receber apoio da Nissan, uma das poucas empresas que conseguiram encontrar uma maneira de contornar esses problemas e continuar investindo no esporte. Mas infelizmente, não tenho expectativa que isso vá melhorar ainda nesse ciclo.

Individualmente, você conseguiu manter seus patrocinadores ou perdeu apoios? Quais são seus patrocinadores atualmente?
Até 2016 eu só tinha um patrocinador, a marca francesa Cornilleau, mas contei com o apoio do Bolsa Atleta, da Prefeitura de São Caetano do Sul, da Confederação e do meu clube na Alemanha para me preparar para os Jogos. Em 2017, o apoio da Nissan me trouxe muita motivação e um pouco mais de tranquilidade para o novo ciclo.

Acha que existe a possibilidade de algum dia a China perder o protagonismo no tênis de mesa mundial? Quem é o grande favorito para vencer no individual neste Campeonato Mundial?
Os chineses ainda são os favoritos e acredito que serão por algum tempo. Estou trabalhando duro pra mudar esse cenário (risos).



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