Briga entre Flamengo e COB pode trazer benefícios para o esporte brasileiro



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 23 de janeiro de 2009 no Diário de S. Paulo


Ano novo, problemas velhos

O ano de 2009 mal completou o seu primeiro mês, mas alguns problemas de 2008 insistem em não terminar. O inferno astral de Diego Hypólito, por exemplo, é um deles. Principal ginasta do Brasil e um dos melhores do mundo, Diego teve o desgosto de perder o apoio de dois patrocinadores logo na primeira semana do novo ano. Não que alguém possa se espantar com tal atitude. Afinal, sempre que termina um ciclo olímpico, muitos destes “mecenas” resolvem fechar o bolso, só reaparecendo espertamente nas próximas Olimpíadas.

Há dois dias, um novo golpe, não só para Diego Hypólito mas em boa parte dos esportes olímpicos: a decisão do Flamengo de cortar os investimentos de todas as modalidades (com exceção do basquete e do remo), em virtude da eterna crise financeira. Mas, para não ficar com todo o ônus, o Rubro-negro carioca disparou contra um outro alvo mais poderoso, o Comitê Olímpico Brasileiro.

O clube culpou o COB pela dispensa dos atletas — entre eles Jade Barbosa e os irmãos Diego e Daniele Hypólito — em razão de a entidade ficar com uma bela parcela da arrecadação da Lei Piva, que repassa recursos das loterias às confederações. Já os clubes ficam a ver navios. Pelo visto, entra ano, sai ano, algumas coisas realmente não mudam.

Conta desigual

Embora tenha uma irresistível atração por factóides, o Flamengo tem uma certa dose de razão em sua reclamação. No último balanço sobre a aplicação dos recursos da Lei Piva de 2008, o COB admitiu que, dos R$ 63,7 milhões arrecadados (já com os devidos descontos para o esporte universitário e escolar), 60% serão repassados às confederações, enquanto o restante, cerca de R$ 25,5 milhões, ficam com a própria entidade, para arcar com suas despesas de manutenção.

Das duas, uma

Diante disso, só posso pensar o seguinte: ou o COB reúne o corpo de funcionários com os melhores salários do esporte mundial, ou então sua sede, no Rio, tem o condomínio mais caro do Brasil.

Clubes pedem recursos

Na carona da crise deflagrada entre Flamengo e COB, um grupo de clubes reivindica parte dos recursos da Lei Piva. No dia 3 de fevereiro, haverá o lançamento do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos, integrado por oito agremiações (Vasco, Flamengo, Fluminense, Corinthians, Pinheiros, Minas Tênis, Náutico União-RS e Sogipa). A entidade alega que apesar formarem mais de 70% dos atletas olímpicos do país, os clubes nada recebem. Uma reclamação bem justa, diga-se de passagem.

Vôlei também tem crise

Para os que acham que o vôlei é imune a crises, o atraso nos salários e a greve das jogadoras do Banespa, relatados pelo DIÁRIO em reportagem de José Eduardo Martins, mostra que a coisa está feia. Até no vôlei.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



  • Anônimo

    O esporte de base já não existe no Brasil , agora os clubes formadores ou estão morrendo a mingua ou indo a falência. Neste passo , daqui umas 2 ou 3 Olimpíadas a delegação do Brasil será formada por atletas de“proveta” ! BR

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