Brasil Olímpico (13)



Do blog do jornalista José Cruz – 2/02/2010

Decisão antipática dos “Senhores dos Aneis”

Num país de escassas publicações sobre temas olímpicos, um livro sobre o assunto nem sempre é bem recebido.

O mais recente caso de “censura” a uma publicação do gênero – “Esporte, educação e valores olímpicos”– é do COB, a pretexto de que as expressões “olímpicos” e “olimpíada”, assim como os aros-símbolos dos tradicionais Jogos são propriedade do Comitê Olímpico Internacional.

Autora credenciada

O livro é da jornalista, mestre em Educação Física, Doutora em Educação, Pós-doutora em Psicologia Social, Kátia Rubio. Mas não adiantam títulos nem argumentos de que a obra é, sim, rara no Brasil e chega em excelente momento.

Notificada extrajudicialmente pelo COB, Kátia deverá retirar de circulação um livro que ensina didaticamente e com orientação pedagógica séria sobre olimpismo.

Inacreditável decisão num país em que as autoridades do esporte difundem que Jogos do Rio de Janeiro deixarão “educação” como legado… Será?

Mas, veja, caro leitor, capa do livro que tanto incomoda os “Senhores dos Anéis”:


Entrevista

A seguir, a entrevista a autora. Confiram:

José Cruz – Qual o conteúdo de sua obra?
Katia – É uma obra inédita no Brasil, produzida para crianças e jovens, sobre educação olímpica, para ser trabalhada em um projeto de educação, que nesse momento uma nação que será sede olímpica necessita.

José Cruz – Qual a alegação do COB para proibir a circulação do livro?
Katia – A alegação do COB é que não posso fazer uso do termo “olímpica”, adjetivo e substantivo que pertencem ao COB. Sabendo das limitações do uso dos símbolos olímpicos, tomei, juntamente com o ilustrador, todos os cuidados para que os anéis ou qualquer outro símbolo não fosse utilizado indevidamente. A capa do livro mostra que lidamos com essa limitação. Mas o processo é por causa disso.

José Cruz – Como você avalia tal decisão?
Katia – Essa decisão é arbitrária porque não temos materiais sobre educação olímpica e há uma demanda nacional por parte dos educadores para tratar sobre o tema com alunos do ensino fundamental e médio. Esse é o público que desejo atingir com essa obra.

José Cruz – Você, inclusive, usou uma linguagem mais de aprendizado, é isso?
Katia – Utilizei todo o meu conhecimento, decodificando da linguagem acadêmica para o grande público, para que esse livro alcançasse o máximo possível de pessoas pensando não apenas na divulgação do olimpismo, caminho que já trilho há mais de ma década dentro da universidade, mas na preparação dessa nação para receber os jogos, seja como voluntários, seja como pessoas ligadas aos diferentes serviços que trabalharão recepcionando turistas, atletas, árbitros, imprensa, etc.

José Cruz – E sua publicação se torna mais valorizada por ter o aval acadêmico…
Katia – Como fiz meu pós-doutorado no Centro de Estudos Olímpicos da Universidade Autônoma de Barcelona sei o que é ter a universidade como parceira na promoção e divulgação dos estudos olímpicos em um país e cidade que serão sede olímpica. É algo emocionante entrar em uma biblioteca e ver diferentes autores, de diferentes abordagens teóricas e conceituais escrevendo sobre história, economia, sociologia, filosofia, educação, psicologia e tudo o mais que tiver relação com esse mega-evento.

José Cruz – E essa é uma das funções acadêmicas…
Kátia – Nossa função na universidade é essa: observar algo que ocorre na sociedade e analisá-lo, discuti-lo e buscar respostas, alternativas e soluções para as questões que serão levantadas a partir dele. Esse é o meu papel como pesquisadora. Essa é a intenção dessa obra.



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