Brasil faz história no Mundial feminino de basquete. Mas bem que poderia não ter feito



A pivô brasileira Érika tenta um arremesso no complicado jogo contra Mali/Crédito: CBB

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Nesta última quinta-feira Hortência Marcari, uma das maiores jogadoras do basquete feminino brasileiro em todos os tempos e também do mundo, fez aniversário. Comemorou 51 anos de idade em Brno, na República Tcheca, onde acompanha, como diretora da CBB, a participação do Brasil no Campeonato Mundial. Mas o presente que Hortência recebeu das jogadoras da seleção não foi, digamos assim, muito agradável. Primeiro, a derrota incrível para a Coreia do Sul, por apenas um ponto de diferença. E nesta sexta, uma vitória, obtida num sufoco desgraçado, diante do limitado time de Mali. O placar: 80 a 73 para as brasileiras.

Se a dificuldade em quadra já foi algo digno de se lamentar, o resultado trouxe ainda uma marca negativa para entrar na história. Pela primeira vez desde que as equipes africanas começaram a participar dos Mundiais femininos, em 1971, no no Brasil, uma delas conseguiu fazer mais do que 70 pontos em uma paretida da fase de classsificação. E coube a Mali tal feito, justamente contra o Brasil.

Levar um sufoco diante de um país sem tradição alguma no basquete e que vem de um continente que só ganhou seis partidas na história dos Mundiais, demonstra bem o estágio em que se encontra o basquete feminino brasileiro. O que se viu em brno nesta sexta-feira foi assustador. Um time ora apático, ora afobado; sem conexão entre as jogadoras, que viam as bravas meninas do mali ganharam um rebote atrás do outro (foram 46 de Mali contra somente 28 do Brasil). E as africanas ainda conseguiram ganhar o terceiro quarto.

Arrisco a dizer que o basquete feminino brasileiro corre um risco muito grande de passar pela mesma estiagem de bons resultados que assola o masculino há mais de 15 anos. E a culpa e única e exclusiva da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e de todos os seus presidentes que por lá apareceram desde o surgimento da geração de ouro feminina, com Paula, Hortência, Janeth e Marta.

Qual foi o trabalho sério de renovação e busca por novos talentos feito em todos estes anos? Qual o projeto de massificação do basquete pelo Brasil? Qual foi a estrutura dada aos clubes para se criar uma liga nacional forté, que permitisse que nossas melhores atletas ficassem por aqui? Nada, zero!

Hoje em dia, há sérios problemas nas categorias de base do Brasil. Há meninas que não sabem os fundamentos mais básicos, como fazer uma bandeja ou a postura correta de umn arremesso. E não é um jornalista que jamais jogou basquete profissionalmente que está falando isso. Jogadoras da atual seleção já demonstraram, em conversas reservadas, sua preocupoação com isso.

Enquanto isso, a CBB prefere buscar no exterior o que não encontra aqui dentro. mas trazer um espanhol desconhecido e atrapalhado como este Carlos Colinas, de currículo extremamente modesto, não é a solução. Nem para longo prazo.

Embora tenha uma certa parcela de culpa pelo que está ocorrendo na Répública Tcheca, Hortência não merecia um presente de aniversário como foram estes jogos contra Coreia e Mali.



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