As lições para o Brasil no Mundial de handebol



O cenário que vinha sendo criado era épico, com doses extras de emoção. Primeiro, foi um empate sofrido logo na estreia, diante da valente Coreia do Sul, com um gol no último segundo. Depois, vitórias importantes, mas com pouca folga no marcador, diante da Alemanha e até mesmo da Argentina. Por fim, uma incrível vitória sobre a França, após levar um gol da goleira adversária a quatro segundos do final e dando o troco com um arremesso do meio da quadra.

Todo o enredo parecia mostrar que a incrível seleção feminina de handebol do Brasil, que entrou para a história da modalidade com o incrível título mundial de 2013, na Sérvia, partia com tudo rumo ao bi, na edição de 2015 da competição, que está sendo realizada na Dinamarca.

Pois é, parecia. Só que a realidade foi bem mais ingrata.

A derrota sofrida neste domingo para a Romênia por 25 a 22, na cidade de Kolding, encerrou precocemente a participação da seleção brasileira, eliminada nas oitavas de final do torneio. Além de jogar fora o sonho do bi – e impedir a conquista da última medalha brasileira no penúltimo ano do ciclo olímpico para o Rio 2016 -, quebrou também uma invencibilidade de 16 jogos em Mundiais desta equipe: além dos nove de 2013, dois da campanha de 2011, quando o torneio aconteceu em São Paulo, e os cinco jogos deste ano.

A armadora Duda Amorim sobe para arremessar contra a Romênia pelo Mundial de handebol. Brasil decepciona e acaba eliminado. Crédito: Wander Roberto/Photo&Grafia

Uma das coisas mais empolgantes no universo olímpico brasileiro vem sendo acompanhar a trajetória desta seleção feminina de handebol, dirigida com competência pelo dinamarquês Morten Soubak. Uma equipe que vem sendo moldada desde 2010 para tentar encarar em pé de igualdade as grandes potências mundiais da modalidade, após a criação de um convênio entre a CBHb (Confederação Brasileira de Handebol) com um time austríaco (o Hypos), que recebeu a maior parte das jogadoras brasileiras.

A partir deste intercâmbio fundamental, o nível técnico melhorou e os resultados foram aparecendo: quinto lugar inédito no Mundial 2011 e sexto lugar nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, quando só parou nas quartas de final, diante da campeã olímpica Noruega.

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O natural é que após uma decepção como a deste domingo – afinal, hoje o handebol feminino do Brasil está em outro patamar – se comece a procurar os motivos que levaram à eliminação. O primeiro, que me parece mais óbvio: a seleção brasileira, em nenhum momento deste Mundial, mostrou a mesma consistência e segurança de 2013. Viveu de lampejos e momentos brilhantes de algumas de suas grandes jogadoras, como a armadora Duda Amorim (melhor do mundo em 2014), a goleira Babi e a central Ana Paula. Mas a irregularidade foi mais presente.

Da mesma forma, não se pode minimizar a incrível atuação da Romênia, que contou com uma marcação quase perfeita, a ponto do primeiro tempo terminar com um placar baixo para os padrões do handebol (13 x 8 para as romenas), além de uma atuação espetacular da goleira Paula Ungureanu, que somente no primeiro tempo defendeu três tiros de sete metros das brasileiras.

Ainda continuo apostando no Brasil para subir ao pódio nos Jogos do Rio 2016. Mas para completar o caminho até a medalha, este time terá que mostrar mais do que exibiu em quadras dinamarquesas, ainda mais que deixou de ser uma zebra e passou à condição de protagonista, tendo seus pontos positivos e negativos totalmente mapeados pelos adversários. A hora é de lamber as feridas e aprender com os erros.



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