Bolt mostrou grandeza na derrota



Até prova em contrário, a foto que abre a galeria deste post representa para  mim a imagem do esporte mundial em 2017. O respeito e o carinho de um novo campeão, contestado até pelo próprio dirigente-mor do atletismo, reverenciando o maior de todos, que pendura as sapatilhas.

A inacreditável derrota de Usain Bolt no sábado, na final dos 100 metros do Campeonato Mundial de Londres, foi o amargo desfecho de uma festa que tinha tudo para ser inesquecível. Mas o corpo já cobrava do maior velocista de todos os tempos uma conta alta para ser paga. A fatura veio quando e da forma que ninguém esperava.

Quer mais ironia do que ser derrotado por um rival duplamente punido por doping? Os erros do passado transformaram Justin Gatlin no vilão inominável, no Coringa que conseguiu finalmente derrotar o Batman. As vaias que perseguiram o americano todas as vezes em que ele entrou na pista se transformaram em combustível extra para que, aos 35 anos, ele empurrar pela goela de Bolt sua primeira derrota nos 100m desde 2011. Na ocasião, no Mundial de Daegu (Coreia do Sul), o jamaicano foi desclassificado por ter queimado a largada.

Bolt ainda iria experimentar a frustração de perder o segundo lugar para um moleque atrevido e talentoso, o também americano Christian Coleman, de apenas 21 anos e que pinta como candidato a brilhar na prova nos próximos anos.

E quando se poderia esperar que Bolt deixasse  a pista rapidinho, decepcionado pela derrota improvável, eis que o jamaicano foi de encontro a Gatlin para cumprimentá-lo e recebeu a reverência. Ainda encontrou tempo para consolá-lo pelas vaias recebidas. “Você trabalhou muito para isso, não merece estas vaias”, disse ao pé do ouvido do americano. Por fim, cumpriu o mesmo roteiro que fazia nas vitórias, dando a volta olímpico, fazendo fotos com os fãs e agradecendo o apoio de todos.

Usain Bolt ainda voltará à pista do Estádio Olímpico mais uma vez, para a disputa do revezamento 4 x 100 m. Independentemente do resultado, deixa o esporte como um dos maiores de todos os tempos. Pelo grandeza que mostrou após a derrota, confirmou que não é uma lenda à toa.

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