Basquete fora das Olimpíadas foi uma crônica de uma morte anunciada



Estava fora do ar durante a disputa do Pré-Olímpico Mundial masculino de basquete, realizado em Atenas. Mas mesmo tendo acompanhado o torneio apenas pelas matérias dos telejornais deu para perceber que a participação da seleção brasileira masculina foi pífia e decepcionante. nada que não fosse esperado, diga-se de passagem.

O mais triste em perceber que o time masculino do Brasil irá demorar, no mínino, mais 16 anos para voltar aos Jogos Olímpicos é saber que toda esta situação não parece que irá mudar a curto ou médio prazo.

A esta altura do campeonato, é até irrelevante a questão da ausência (ou debandada, como queiram) dos jogadores que atuam na NBA, como Leandrinho e Ânderson varejão, além de Valtinho, Guilherme e Paulão.

Como levar a sério uma entidade (Confederação Brasileira de Basquete) que nos últimos 11 anos, sob o comando de Gerasime Boziks, apenas fez a modalidade andar para trás?

Ou pode ser chamado de evolução ver que nem um campeonato nacional decente, com as principais equipes do país, consegue ser organizado?

É ridículo constatar que o trabalho de base feito na gestão Grego é quase uma piada. No masculino, levamos pau da Argentina há tempos. E até no feminino, onde a vantagem brasileira sempre foi gritante, as “hermanas” já começam a ameaçar a hegemonia nacional.

Não se pensou em criar uma escola de treinadores. As clínicas feitas pela CBB têm efeito nulo na formação de novos técnicos. Entre os que estão por aí (com honrosas exceções), faltam idéias, competência e sobram ciúmes e fofoca. E por incrível que pareça, até o Moncho Monsalve, que tem um currículo paupérrimo como treinador, conseguiu dar um pouco de padrão tático a um time desprovido de talento.

Quando entrou em campanha para tirar Renato Brito Cunha do poder, em 1997, Grego prometia mudar a cara do basquete brasileiro. E realmente ele conseguiu, só que para pior. Com Brito Cunha no poder, e uma geração menos medíocre em quadra, o basquete masculino do Brasil conseguia ir aos Jogos Olímpicos e fazer um papel honroso. Com Grego e sua turma, o máximo que conseguimos é comemorar títulos de Pan-Americanos.

E a falta de esperança parece contaminar a todos. No dia da eliminação do Brasil para a Alemanha, um ex-aluno meu, Manoel Paulo, enviou-me um e-mail lamentando mais um fracasso da seleção e me perguntando quando o basquete brasileiro voltará a ser uma força.

Pois caro Manoel, acho que isso vai demorar muito para acontecer.

Foto: Tiago Splitter, na partida entre Brasil x Alemanha/Crédito: FIBA



  • Tem que ter um esforço de todos. Quando digo todos, desde os dirigentes e jogadores. Ainda tenho esperança de ver uma seleção brasileira com muito sucesso e destaque no cenário mundial.

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