Basquete feminino do Brasil paga pelos erros cometidos no passado



Terminou neste domingo a pífia participação da seleção brasileira feminina de basquete no Pré-Olímpico das Américas, disputado na cidade de Edmonton (CAN). Aliviada pelo fato de já estar com a vaga olímpica assegurada por antecipação para as Olimpíadas do Rio 2016, a equipe brasileira acabou somente em quarto lugar.

Foi uma campanha digna de cair no esquecimento, após sofrer três derrotas no torneio – uma para o Canadá, que foi o campeão e se classificou para os Jogos, e duas para a Argentina na decisão do terceiro lugar -, vencendo somente as “poderosas” equipes do Equador, Venezuela e Ilhas Virgens.

A ala Iziane foi um dos poucos destaques positivos do Brasil no Pré-Olímpico. Crédito: Fiba Américas

Mesmo com o basquete feminino do Brasil em crise, a ala Iziane foi um dos destaques individuais no Pré-Olímpico realizado no Canadá. Crédito: Fiba Américas

A mesma sensação de impotência diante do fraco desempenho apresentado por esta equipe ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, quando o time dirigido pelo técnico Luiz Augusto Zanon deixou uma péssima impressão e também ficou em quarto lugar, perdendo o bronze para Cuba. As únicas diferenças nos elencos das duas competições foi o retorno da ala Iziane Marques, que por sinal terminou o torneio como a segunda principal cestinha (14,8 pontos por jogo) e a presença da pivô Nádia no lugar de Fabiana Caetano

Os companheiros que acompanham mais de perto o basquete, como o Fábio Balassiano ou o Luís Araújo, analisaram em seus ótimos blogs alguns dos motivos que levaram a mais este péssimo resultado da seleção feminina. Rotina aliás que vem se repetindo de forma constante nos últimos anos, como nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, quando terminou em nono lugar, ou no Mundial de 2014, na Turquia, quando amargou o 11º posto.

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Mas para quem acompanhou de perto a chamada era de ouro do basquete feminino do Brasil, quando brilhavam pelas quadras Paula, Hortência e Janeth, o momento atual da modalidade não chega a ser nenhuma surpresa. Na realidade, o basquete feminino está pagando pelos erros do passado – falhas nas quais boa dose da responsabilidade precisa ser creditada à CBB (Confederação Brasileira de Basquete), que quase sempre negligenciou o basquete feminino à sua própria sorte.

Lembro-me perfeitamente de comentar com outros colegas que como eu acompanhavam jogos das equipes e da seleção brasileira que seria necessário cuidar do futuro da modalidade, pois no dia em que Paula e Hortência parassem de jogar, o destino seria cruel.

>>> E mais: Fiba assegura o Brasil no basquete do Rio 2016

E até que o Brasil ainda resistiu bravamente, graças ao talento da última estrela remanescente, Janeth Arcain, e ainda conseguiu levar o bronze nos  Jogos de Sydney 2000 e terminou o Mundial de 2006, realizado em São Paulo, na quarta posição. Mas mesmo estes resultados não conseguiam mascarar a estrutura mambembe dos clubes, com campeonatos sucateados, poucas equipes patrocinadores.

Como fazer a roda girar e surgirem novos talentos, se não existe um trabalho a longo prazo que possa interligar todas as seleções, da base até a adulta? Aliás, como é possível pensar em evolução uma modalidade que de 2008 para cá teve nada menos do que cinco treinadores em sua seleção principal?

E nem se trata de culpar X, Y ou Z individualmente pela falta de melhores resultados em Toronto ou Edmonton. Pois mesmo sem contar com três jogadoras consideradas fundamentais para a seleção (Erika, Damires e Clarissa, todas na WNBA), o que se viu no Pan e no Pré-Olímpico foi um time sem padrão tático, limitado tecnicamente e até mesmo com sérios problemas de fundamento, como passes ou arremessos. E o lugar de treinar isso é no clube e não na seleção, ou seja, a culpa não é só de um lado.

O basquete feminino do Brasil precisa se reinventar e de forma urgente. Não será possível que isso ocorra para 2016, pois os problemas são bem mais profundos, de estrutura. Se essa mudança não vier, as glórias que foram conquistadas de forma tão brilhante pela geração de Hortência, Janeth e Paula serão apenas lembranças.



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