Enquanto Brasil corta verbas, Austrália amplia investimentos para Tóquio-2020



Atletas da Austrália contarão com uma grana extra na preparação para Tóquio-2020 (Crédito: Divulgação)

Enquanto o esporte olímpico brasileiro passa por uma situação de indefinição quanto aos investimentos na preparação dos atletas para a Olimpíada de Tóquio-2020, há países que caminham na direção contrária.

O AOC (Comitê Olímpico Australiano) anunciou nesta quarta-feira (20) que investirá US$ 2,3 milhões (R$ 8,8 milhões) em 192 atletas de 17 modalidades olímpicas para ajudar na preparação aos próximos Jogos Olímpicos.

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O programa de incentivo da Austrália para Tóquio-2020 tem semelhanças e também diferenças consideráveis em relação ao modelo brasileiro.

O verbo “usar” está no passado por causa do enorme ponto de interrogação pelo qual vive o esporte brasileiro. O governo Jair Bolsonaro optou por transformar o Ministério do Esporte em uma Secretaria Especial. Sem a mesma força e orçamento de antes, o órgão terá que promover um corte no pagamento do Bolsa Atleta, especialmente na base. Há dúvidas também em relação à continuidade do programa de apoio voltado ao alto rendimento, o Bolsa Pódio. Até o ano passado, concedia um benefício entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, dependendo do atleta.

Em entrevista ao blog, a lutadora Aline Silva, do wrestling, reclamou do cenário de indefinição do esporte brasileiro, especialmente em relação ao corte no Bolsa Atleta.

O único investimento no esporte olímpico com verbas públicas e que segue intacto é a Lei Agnelo/Piva. Ela destina uma valor da arrecadação das loterias federais ao COB (Comitê Olímpico do Brasil), que o repassa às confederações esportivas.

Modelo australiano

O modelo proposto pelo AOC me parece, à primeiro vista, mais interessante e sustentável.

O comitê australiano levou em consideração os resultados obtidos em 2018 em Mundiais e torneios semelhantes. Na temporada passada, a Austrália ficou em quinto lugar em medalhas obtidas, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Rússia. Foram 18 ouros, 19 pratas e 20 bronzes na contabilidade do AOC.

Também foram escalonados os valores de acordo com o tipo de medalha – US$ 20 mil para ouro, US$ 15 mil pela prata e US$ 5 mil pelo bronze. Além disso, cada atleta só estará apto a receber um único pagamento anual, levando em conta o seu melhor resultado.

A ideia é que este pagamento seja um reforço na preparação destes atletas e não uma fonte permanente de recursos, tal como é o modelo brasileiro.

A natação, com 18 atletas apoiados, e o ciclismo, com 16, são as modalidades com mais representantes no programa de incentivo do AOC. Também compõe a lista atletas do tiro com arco, atletismo, basquete (feminino), vôlei de praia (feminino), canoagem velocidade, saltos ornamentais, futebol (feminino), hóquei sobre grama (feminino), remo, rúgbi seven (feminino), vela, skate, surfe, triatlo e polo aquático (masculino e feminino).

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