Atletismo brasileiro precisa começar do zero



Geisa Arcanjo, na prova em que ganhou a medalha de ouro no Mundial Juvenil/Crédito: CBAt


Que o atletismo do Brasil vive uma crise de valores e de talento não é nenhuma novidade. Em termos técnicos, Fabiana Murer é a única coisa que vem salvando a honra brasileira na modalidade, com resultados excelentes e que culminaram com a conquista da Liga Diamante da Iaaf (Federação das Associações Internacionais de Atletismo) neste ano.

Já os vexames estão nos repetidos casos de doping que a Confederação Brasileira de Atletismo volta e meia é obrigada a divulgar. E não é de hoje que isso vem ocorrendo. A crise moral que o atletismo do Brasil passa foi deflagrada às vésperas do Mundial de Atletismo de Berlim, em 2009, com os casos de exames positivos dos atletas da extinta equipe Rede. Depois, neste ano, os treinadores Jayme Netto e Inaldo Sena foram banidos definitivamente da modalidade, por conta deste triste episódio.

Eis que nesta terça-feira, um dos raros motivos para o atletismo brasileiro festejar em 2010 foi jogado na lata do lixo. Medalha de ouro na prova do arremesso de peso do Campeonato Mundial juvenil, realizado no último mês de julho em Moncton, no Canadá, a atleta paulista Geisa Rafaela Arcanjo, de 18 anos, deu positivo para a substância proibida Hidroclorotiazida. E  o exame foi feito justamente na prova vencida por Geisa. Ou seja, sua medalha pode ser cassada!

Mas como desgraça pouca é bobagem, a própria atleta declarou que tomou um chá para emagrecimento, sem o conhecimento de seus treinadores do Centro Nacional de Treinamento de Atletismo, em Uberlândia. Ou seja, por uma mera questão estética (vide caso Maurren Maggi em 2003), para perder uns quilinhos, a menina pode ter jogado no lixo sua carreira.

Claro que o caso ainda será julgado pela comissão disciplinar da CBAt. Por enquanto, ela está suspensa preventivamente. Ela pode pegar uma pena de dois anos ou apenas uma advertência, no melhor dos casos.

O que me deixa indignado é que a CBAt não consegue controlar esta praga do doping. E nem adianta dizer que o doping está espalhado no esporte porque os casos que pipocam a todo momento são no atletismo. A entidade, cujo presidente Roberto Gesta de Mello está no poder há mais de duas décadas, deveria convocar uma entrevista coletiva e assumir o seu fracasso no controle de doping.

Como já disse numa coluna no Diário de S. Paulo, não adianta a CBAt se apressar em divulgar os casos e as possíveis punições. Isso é obrigação. Falta sim um amplo, sério e profundo trabalho para livrar o atletismo do doping, ou ao menos diminuir a frequência destes casos lamentáveis.



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