Ameaça de suspensão ao Quênia desmascara as desculpas esfarrapadas



O presidente da Iaaf, Sebastian Coe, disse que o Quênia poderá ser suspenso da Rio-2016 se não resolver a questão do doping

O presidente da Iaaf, Sebastian Coe, disse que o Quênia poderá ser suspenso da Rio-2016 se não resolver a questão do doping

Em meio ao Carnaval, uma notícia ajudou a jogar mais lenha na fogueira do grave problema da epidemia do vírus Zika, que assola países da América Latina, entre eles o Brasil. O chefe do comitê olímpico do Quênia, Kipchoge Keino, declarou à agência “Reuters” no último dia 9 que dependendo da gravidade da situação no Rio de janeiro, cogitaria não enviar seus atletas para competir na Rio-2016. “Se a situação se agravar, não iremos aos Jogos”, disse Keino, lembrando que a decisão dependeria da análise das instalações sanitárias nos locais de competição.

Menos de dez dias depois, percebe-se que a bravata do dirigente queniano era uma espécie de estratégia para preparar o terreno para algo bem mais grave.

>>> E mais: Deu uma Zika fora de hora na Rio-2016

Nesta quinta-feira (18), a mesma “Reuters” traz uma declaração do presidente da Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo), o inglês Sebastian Coe, na qual ele assegurou que a entidade pode tomar duras medidas contra o Quênia em razão da disseminação do doping no país, a exemplo do que fez com a Rússia, suspensa das competições internacionais, entre elas a Olimpíada do Rio, por conivência de seus dirigentes com acobertamento de casos positivos.

“Sabemos que muitos danos à reputação [da Iaaf] vem sendo causados por um número relativamente pequeno de países. Teremos que ser mais proativos e se isso significar retirá-los de campeonatos mundiais ou Olimpíadas, nós iremos fazer isso”

O recado de Coe – que vem tendo sua gestão bombardeada pelas denúncias da comissão da Wada (Agência Mundial Antidpoing), que aponta envolvimento do ex-presidente da entidade, o senegalês Lamine Diak, por ajudar no acobertamento de exames positivos de doping de atletas russos – é claro contra os quenianos. Desde 2013, nada menos do que 40 atletas do país foram banidos das pistas suspensos após terem exames positivos.

>>> Veja ainda: O jogo sujo do doping é uma séria ameaça na Rio-2016

No último Mundial da China, o Quênia terminou com a primeira colocação no quadro de medalhas, superando até mesmo os Estados Unidos. A declaração de Coe, segundo a “Reuters”, faz parte de uma entrevista que ele concedeu à rede de TV “BT Sport” e que será exibida ainda nesta quinta-feira.

“Sei que a Wada tem acompanhando muito de perto o trabalho da agência nacional antidoping do Quênia. Nós, da Iaaf, obviamente acompanharemos de perto o trabalho que está sendo feito”

Tudo isso vem à tona apenas dois dias depois do afastamento temporário do chefe-executivo da Federação de Atletismo do Quênia, Issac Mwangi, acusado de pedir suborno para amenizar a suspensão de doping de duas atletas.

Pelo visto, os problemas do Quênia passam muito longe do receio de ter seus atletas infectados pelo vírus Zika.



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