Acabou a farra dos supermaiôs



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 22/05 do Diário de S. Paulo

O avanço da tecnologia precisa ser encarado de forma positiva em todas as áreas, inclusive no esporte. Imagine, por exemplo, o jamaicano Usain Bolt tentando bater o recorde mundial dos 100m rasos com o mesmo modelo de tênis usado pelo americano Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, quando ganhou quatro medalhas de ouro, uma delas nos 100m. Com certeza, Bolt teria problemas para repetir a espantosa marca de 9s69.

Se a evolução tecnológica é um caminho natural, o exagero precisa ser condenado da mesma forma. A febre dos supermaiôs nos últimos anos transformou a natação numa espécie de disputa paralela de fabricantes, onde acaba ganhando aquele nadador que tem mais recursos para comprar os modernos trajes.

Intervenção necessária

Por isso, o veto da Fina (Federação Internacional de Natação) aos badalados modelos X-Gilde e Jaked 01, ocorrido nesta semana, foi extremamente positivo. Já não se estava discutindo mais se o talento e o treinamento de um nadador seriam suficientes para levá-lo à vitória, mas sim quanto ele baixaria no seu tempo somente por causa do supermaiô.

A grande questão é se recordes mundiais obtidos com estes trajes serão anulados. Alguns bens representativos, como os dos franceses Fréderick Bousquet, nos 50m livre, e Alain Bernard nos 100m livre. Até mesmo a marca do brasileiro Felipe França, nos 50m peito (26s89) está ameaçada. Pelo menos nesta briga, a tecnologia levou a pior.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



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