A vaquinha da discórdia do polo feminino



Reprodução da página da plataforma de financiamento coletivo da seleção feminina de polo aquático. Crédito: Reprodução

Reprodução da página da plataforma de financiamento coletivo que a seleção feminina de polo aquático está promovendo. Crédito: Reprodução

Em uma época na qual o dinheiro anda curto e dólar nas alturas por estes lados, me espanta a reação negativa da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) à iniciativa das integrantes da seleção brasileira feminina de polo aquático, que decidiram fazer uma campanha de financiamento coletivo virtual para ajudar em sua preparação para os Jogos do Rio 2016. Sem contar com o mesmo investimento da seleção masculina, que repleta de jogadores naturalizados e um técnico que já foi campeão olímpico almeja brigar pelo pódio olímpico, a equipe feminina buscou alternativas para conseguir fazer uma preparação mais completa. A solução, contudo, aparentemente não foi bem vista pela direção da CBDA.

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Reportagem publicada pelo UOL Esporte nesta quinta-feira mostra que a direção de polo aquático da confederação desaprovou a iniciativa das integrantes da seleção. Elas buscam arrecadar até o mês de abril R$ 80 mil, que serviria para custear um período de dez dias de treinos na Itália, considerada uma das potências da modalidade. Na página da plataforma que faz a arrecadação da campanha, elas justificam o motivo de criar a campanha.

“Precisamos de mais jogos contra as potências do nosso esporte, mas o limite de verba imposto para para o pólo feminino nos impossibilita de realizar a maior parte do nosso projeto anual. A nossa vontade é buscar uma medalha nos Jogos Olímpicos. Para isso, precisamos cumprir as metas das viagens internacionais que foram definidas no final de 2015 pelo atual técnico da Seleção Brasileira.”

Para Ricardo Cabral, coordenador de polo aquático da CBDA, a forma usada pelas jogadoras não foi a ideal. Segundo ele disse ao UOL, “dá a entender que o esporte não tem nada, o que faz mal até para patrocinadores. Este tipo de ação (…) é um marketing negativo para a modalidade”. O dirigente ficou incomodado ainda com o fato de as jogadoras planejarem ficar em um hostel, para reduzir custos. Ele disse ainda que a seleção deverá fazer um período de treinos nos EUA nas próximas semanas, onde a entidade gastará ao menos R$ 320 mil.

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Independentemente do planejamento para a Rio 2016 preparada pela entidade, fico pensando cá com meus botões qual o motivo de tanta ranhetice dos cartolas com as meninas do polo aquático feminino. O financiamento coletivo vem se transformando a cada dia em uma ferramenta poderosa para arrecadação de recursos, que muitas vezes, no caso do meio esportivo, demoram a chegar a quem mais necessita. Está claro que a CBDA fez uma opção, no caso concentrando a maior parte de seus recursos para a seleção masculina. E qual o problema delas buscarem um plano alternativo?

Talvez a CBDA desconheça que até mesmo um dos patrocinadores do COI (Comitê Olímpico Internacional) está promovendo uma campanha internacional de financiamento coletivo, de olho na Rio 2016. Tem atleta dos Estados Unidos, Espanha, França, Austrália e, vejam só, do Brasil! A integrante da seleção do nado sincronizado, Lara Teixeira, e Raiza Goulão, do ciclismo mountain bike, fizeram suas campanhas e tiveram sucesso.

Cá entre nós, muito barulho por nada…

 

 



  • Silvio

    Puro preconceito com o polo feminino tinha que ficar feliz por elas buscarem mais recursos para ter uma preparação melhor, visto que tem um valor muito baixo de recursos comparando com os outros esportes.

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