A polêmica de uma vitória histórica no polo aquático brasileiro



Seleção brasileira de polo aquático

Jogadores da seleção brasileira de polo aquático comemoram a medalha de bronze na Liga Mundial (Crédito: Fina)

Quem me conhece sabe que passo longe, muito longe, do perfil do “pacheco”. Para os mais novos, “pacheco” era um personagem criado pela Gillette do Brasil em sua campanha publicitária da Copa do Mundo de 1982.

Na época, a seleção de Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo, entre outros craques e comandada por Telê Santana, encantou o mundo. Mas acabou eliminada pela Itália.

O torcedor “pacheco” é aquele que não vê nenhum defeito em sua equipe, que torce de forma descontroladamente apaixonada. Em última análise, um fanático incurável.

O universo do esporte olímpico, especialmente em períodos próximos a uma competição do nível dos Jogos Pan-Americanos, é propício para fazer desabrochar os sentimentos mais ufanistas daqueles que adoram festejar os feitos dos atletas brasileiros – mas apenas as vitórias, relegando àqueles que ficam de segundo lugar para baixo no mínimo a indiferença.

Fiz essa longa explanação para comentar um fato curioso ocorrido nesta terça-feira, dia em que uma seleção brasileira masculina de polo aquático venceu a atual campeã olímpica (no caso, a Croácia), por 17 a 10, pela Liga Mundial da modalidade.

Um resultado histórico, para uma modalidade que está a anos-luz dos esportes olímpicos mais badalados em termos de popularidade, como natação, atletismo, judô, vôlei e basquete, apenas para ficar nos principais.

Mas (sempre tem o bendito mas)…

Este seleção brasileira tem alguns sotaques diferentes entre seus integrantes. E não me refiro a atletas nascidos em diferentes regiões do país. O técnico, por exemplo, é croata; tem italiano, croata, espanhol, cubano. Tem até brasileiro que jogava pela Espanha, mas que passou a adotar o Brasil, terra natal de sua mãe.

>>> E mais: Confira a tabela do polo aquático no Pan de Toronto 2015

Para muitas pessoas, essa seleção de polo aquático não merece crédito algum. Seus méritos, caso chegue a um pódio no Rio 2016, serão única e exclusivamente por conta do talento dos “gringos”. Algo semelhante ao que tem feito o Catar. Por não ter trabalho de base em diversas modalidades, o país adotou a política de “importar” atletas. O vice-campeonato mundial de handebol masculino neste ano é um exemplo desta estratégia que fere os princípios olímpicos.

Não penso que o mesmo se aplique ao exemplo brasileiro.

Verdade que um dos atletas, o croata Vrilic, não tem qualquer vínculo com o Brasil. Ele teve sua naturalização “comprada” pelos dirigentes da CBDA. Os demais (o cubano Ives, o italiano Paulo Salemi, e os espanhóis naturalizados brasileiros Felipe Perrone e Adriá Delgado) tem ligações familiares com o país.

Ao invés de ver como uma afronta à “soberania do esporte nacional”, vejo como uma oportunidade. É a chance para fazer uma modalidade relegada a um grupo restrito de atletas evoluir, aproveitando a onda olímpica do ano que vem.

O mais importante do que “cornetar” a estratégia da CBDA (pensando na tal meta de colocar o Brasil no top 10 do quadro de medalhas do Rio 2016), será fiscalizar e cobrar que essa força estrangeira seja usada para buscar uma massificação do polo aquático nos próximos anos.

Aos mais críticos, apenas uma lembrança: no dia 23 de junho de 2015, data em que se comemora o Dia Olímpico, um time de polo aquático do Brasil derrotou uma equipe campeã olímpica em um torneio de alto nível.



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