A maior derrota do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 está diante de nós há muito tempo



Daqui a seis dias, mais precisamente na próxima quarta-feira (5), será festejada a data mágica de um ano para a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Ainda ontem (29/7), a prefeitura do Rio concedeu coletiva à imprensa, na qual mostrou uma completa apresentação sobre o plano do legado para o Parque Olímpico da Barra, onde estarão concentradas boa parte das instalações olímpicas, e do Parque Radical, que está localizado no Complexo de Deodoro. Tudo muito bonito, plano teoricamente bem traçado, nada a contestar. Porém, há um outro ponto que as autoridades oportunamente parecem esquecer e que na prática já é o grande ponto negativo das próximas Olimpíadas.

Investigação feita pela agência de notícias Associated Press (AP) mostra dados alarmantes a respeito da poluição nas águias da Baia de Guanabara, Lagoa Rodrigo de Freitas e diversas praias do Rio de Janeiro, que receberão competições de vela, remo, triatlo e maratona aquática, respectivamente. A AP encomendou estudos para diversas entidades internacionais, que constataram níveis altos de bactérias de esgoto humano e de vírus nestes locais de competições, que também receberão eventos das Paraolimpíadas.

Poluição nas águas da Baia de Guanabara: problema sem solução para o Rio 2016. Crédito: Getty Images

Poluição nas águas da Baia de Guanabara: problema sem solução para o Rio 2016. Crédito: Getty Images

Para os analistas, tais índices de poluição tão elevados deixarão os atletas expostos a diversas doenças, sendo que alguns que treinam nestes locais já apresentaram casos de diarreia, vômitos e febres. Alguns testes apontaram a presença de vírus em níveis até 1,7 milhão de vezes acima do que seria considerado alarmante em praias no sul da Califórnia (EUA).

Só existe uma palavra que define toda essa situação: vergonha!

Alguns poderão argumentar que Pequim não acabou com sua poluição atmosférica pavorosa por causa da realização das Olimpíadas. Isso é verdade e durante os Jogos, pelas imagens da TV e depoimentos de quem esteve lá, a coisa realmente foi complicada em 2008. Em compensação, nos Jogos de 2000, os australianos tiveram como meta em sua candidatura despoluir as águas da Baia de Sydney, investiram US$ 137 milhões e conseguiram recuperar uma região que parecia sem solução, com a remoção de nove milhões de metros cúbicos de solo contaminado.

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A proposta da despoluição constava do plano de candidatura dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2009. A ideia original era que 80% das águas da Baia de Guanabara estivessem limpas durante as Olimpíadas. Em fevereiro deste ano, durante uma das visitas de inspeção da comissão do COI, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, reconheceu que a meta não seria atingida e que no máximo 42% das águas teriam condições de limpeza adequada.

Teme-se que nem esta meta seja alcançada…

Um exercício de memória: no Pan de 2007, a nadadora brasileira Polina Okimoto, que ganhou a medalha de prata na prova da maratona aquática 10 km, não conseguiu competir na prova dos 800 m da natação, por causa de uma virose contraída nas águas da praia de Copacabana. Lá também acontecerá a prova da maratona aquática em 2016 e pouca coisa mudou de 2007 para cá.

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Imagens com toneladas de peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde acontecerão as competições de remo e canoagem velocidade, costumam estampar manchetes de sites e blogs do mundo inteiro. O que garante que o mesmo não irá ocorrer no no que vem?

Quando no futuro alguém for falar em legado dos Jogos 2016, é obrigatório que seja lembrada sempre a oportunidade de ouro que as autoridades responsáveis desperdiçaram ao tratar da questão da despoluição das águas do Rio de Janeiro. Essa é a grande vergonha das Olimpíadas no Brasil.