A incrível máquina de fazer pontos



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 23 de abril do Diário de S. Paulo

Quem viu o set decisivo da final da Superliga feminina de vôlei, no último domingo, certamente se lembra de uma cena impressionante: a cada ponto que marcava pelo Sollys/Osasco diante do Unilever/Rio, a atacante Natália saia para comemorar furiosamente com suas companheiras. Parecia até que estava transtornada. De fato, Natália jogou com raiva, graças a um cartão amarelo recebido no terceiro set e que rendeu um ponto ao time carioca. O resultado de tanta indignação: 28 pontos marcados pela jovem catarinense, de 21 anos, quase 30% do total marcado pelo Osasco.

A fantástica atuação de Natália foi o ponto alto de um jogo para entrar na história do vôlei feminino brasileiro, e que culminou com a vitória do time paulista, quebrando um jejum de quatro vice-campeonatos seguidos na Superliga. Mas se já seria natural esperar um duelo emocionante, até pelo histórico de rivalidade entre Sollys e Unilever, a marcante atuação de Natália (segunda maior pontuadora do torneio) mostrou que estamos diante de uma feroz máquina de fazer pontos.

Mas é bom avisar: não se trata de uma nova Ana Moser. Embora o poder de ataque das duas seja semelhante, Ana Moser tinha um ótimo passe, além de jogar demais. Natália tem um enorme potencial, mas ainda precisa evoluir muito nas quadras.

O único ponto negativo da decisão da Superliga foi seu próprio regulamento. É de uma burrice inaceitável que um torneio cuja fase de mata-mata foi toda em melhor de três jogos tenha sido decidido numa só partida.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



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